sexta-feira, 23 de março de 2018

10) Uma assembleia bíblica, em um dia de ruína no testemunho Cristão, manterá as características de um remanescen

Número Dez

Uma Assembleia Bíblica, em um Dia de Ruína no Testemunho Cristão, Manterá as Características de um Remanescente


                 Muitos dos escritores do Novo Testamento falam da ruína do testemunho Cristão nos últimos dias. Quando existe tal estado de desordem sem esperança, não podemos ter a expectativa de ver toda a Igreja de Deus praticando a verdade. Mas isto não quer dizer que aqueles que desejam praticá-la não possam fazê-la; toda a verdade de Deus pode ainda ser praticada em sua totalidade hoje em dia. Deus previu este dia e fez provisão para aqueles que são exercitados no que pode ser chamado de “um testemunho remanescente”.

O Princípio do Testemunho Remanescente

                 A ideia de um “remanescente” na Escritura surge quando a grande parte do povo de Deus se corrompeu. Um grande princípio no qual Deus age, quando falha o testemunho daquilo que Ele colocou nas mãos dos homens, é que Ele reduz seu tamanho, força, glória, e número, e o conduz, daí por diante, em forma de um remanescente. Após separar um remanescente para Si mesmo, o Senhor deixa a multidão ir pelo seu próprio caminho seguindo seus princípios e práticas corrompidas. Isto não quer dizer que Ele deixa de amar aqueles que estão conectados com várias práticas não bíblicas, mas que Ele não mais Se identifica com eles no sentido coletivo. Se Ele fosse Se identificar com o estado corrompido da multidão, pareceria diante do mundo como se Ele fosse conivente com o estado caído do Seu povo. Em vez disso, Ele recorre ao Seu poder soberano e graça para manter um testemunho remanescente da verdade, e com ele trabalha. Deus agiu sobre o princípio do testemunho remanescente com Israel no passado, quando o povo se entregou à idolatria. Ele fará isto novamente com o remanescente Judeu num dia futuro quando a multidão da nação receber o anticristo. E Ele está fazendo isto hoje no testemunho Cristão quando a multidão abandonou a verdade.

A palavra “remanescente” significa uma parte que resta do todo. O remanescente no Cristianismo é realmente todos os crentes verdadeiros no meio da multidão de professantes sem vida, mas por conta da ruína, não podemos esperar que todos eles sejam envolvidos num testemunho remanescente.

O Remanescente em Israel
                 No caso de Israel, o grande desejo do Senhor era que todos os filhos de Israel estivessem juntos em um lugar para oferecer seus sacrifícios e adoração. Ele colocou lá “Seu Nome” e “Sua habitação”, e disse ao Seu povo, e ali vireis” (Dt 12:1-16, 16:16). O lugar, sabemos, era Jerusalém (1 Rs 8:1, 29, 9:3, 11:32, 14:21, 15:4; 2 Re 21:4, 7; Sl 132:13,14). Este era o grande desejo do Senhor para todos os filhos de Israel a quem Ele havia resgatado do Egito.
                 À medida que sua história se desenrola na Terra, vemos que os filhos de Israel abandonaram o Senhor e adoraram os deuses das nações pagãs. Isso é verdadeiro tanto para o rei quanto para o povo (1 Rs 11:9-11, 33). Assim, a nação se corrompeu e fracassou em manter um testemunho fiel do único Deus verdadeiro diante do mundo. Como consequência, o Senhor afastou muitos do Seu povo (a massa) de estarem conectados com Seu testemunho em Jerusalém. Ele fez com que dez das tribos de Israel fossem levadas (1 Rs 11:29-36). Quando o rei Roboão tentou recuperá-las, o Senhor interveio por meio de um profeta e disse-lhe que desistisse, porque vinha “do Senhor” que as dez tribos fossem levadas (1 Rs 12:15, 24). Foi uma ação governamental de Deus.
                 Como Israel se entregou à adoração dos deuses dos pagãos, o Senhor não poderia mais associar-Se com eles no poder e gloria como fizera durante o reinado de Davi e Salomão. As nações em torno de Israel teriam recebido um falso testemunho de Jeová. Os caminhos do Senhor foram tais que Ele manteria Seu testemunho em Israel dali em diante por um “remanescente” (1 Rs 12:23). Ele fez “uma tribo” permanecer e ser “a luz” diante d’Ele (1 Rs 11:13, 29-36, 12:20).
                 O povo sob o líder rebelde (Jeroboão) foi levado à divisão. Subir à Jerusalém (o centro de Deus para sacrifício e adoração) teve o efeito de unir as tribos de Israel (1 Rs 12:27). Jeroboão estabeleceu outros lugares de adoração por invenção própria, para que o povo se reunisse após ele em divisão (1 Rs 12:25-33). Assim, ele solidificou a divisão em Israel, a qual permaneceu por toda a sua história. Isto foi “um grande pecado” (2 Re 17:21), e não será curado até depois da vinda do Senhor – Sua aparição (Ez 37:15-28; Is 11:13).
                 Desse tempo em diante, Deus escolheu ter apenas um testemunho remanescente em Israel. Naquele momento “Lo-Ami” (que significa “não Meu povo”) foi escrito sobre as dez tribos (Os 1:9). Assim, Ele publicamente Se dissociou deles ao partirem de Jerusalém. Ao longo da história das dez tribos encontramos que Deus não Se identificaria publicamente com a posição deles. Em mais de uma ocasião somos relembrados do solene fato de que o Senhor não é com Israel [dez tribos] (2 Cr 25:7). Ele não Se identificaria com eles, porque fazendo isto, estaria sendo conivente com sua posição de separação (2 Cr 13:12; 2 Re 17:20,21). Enquanto o Senhor não Se identificou publicamente com a posição dividida deles, ainda assim agiu em misericórdia em seu meio com profetas e manifestações do Seu poder em graça. Profetas como Elias procuraram chamá-los para que retornassem ao Senhor em Jerusalém, e alguns retornaram (2 Cr 11:13-17, 30:11). O Senhor ainda os amava e cuidava deles, mas não podia Se identificar publicamente com sua posição dividida.

O Remanescente de Judeus na Grande Tribulação
                 Quando olhamos nas Escrituras proféticas vemos que o Senhor tratará com os Judeus exatamente neste mesmo princípio. Na Grande Tribulação, a multidão da nação firmará um concerto com a besta e aceitará a idolatria que ela e o anticristo vão introduzir. Como resultado, a nação será completamente corrompida (Ap 13:11-18; Mt 12:43-45). Quando a multidão dos Judeus estiver submergida na idolatria, o Senhor não Se identificará abertamente com eles em sua aliança perversa (Is 18:4). A razão será a mesma – para não dar uma impressão errada ao mundo. Ele vai separar um remanescente (Is 66:2) e dará à multidão a idolatria que eles desejam (Sl 106:15). Durante esse tempo, Deus manterá um testemunho remanescente em meio à grande apostasia. E muitos entre eles tropeçarão, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos. Liga o testemunho, sela a lei entre os Meus discípulos” (Is 8:11-18, 10:21,22, 11:11; Jl 2:32, 3:1,2; Mq 4:7; Sf 3:13). Apesar de parecer que o Senhor desistiu do Seu povo professante, Ele tratará com o remanescente e executará Seus propósitos para com a nação em relação ao reino.

O Testemunho Remanescente na Profissão Cristã
                 A palavra “remanescente” não é encontrada somente no Antigo Testamento, como alguns imaginaram; é encontrada também no Novo Testamento em conexão ao testemunho Cristão (Ap 2:24).
                 Apocalipse 2 e 3 nos dá um traçado da história profética da Igreja desde seus primeiros dias, logo após os apóstolos, até seus últimos dias. Seguindo as coisas como são retratadas nessas cartas às sete igrejas, vemos uma curva descendente no testemunho Cristão, até que finalmente, o ponto sem volta é atingido, e dali em diante o Senhor age sob o princípio do testemunho remanescente.
                 Em Éfeso, aprendemos que “o anjo da igreja” (os líderes responsáveis) julgou corretamente tudo o que era inconsistente com o Senhor. Diz que eles não podiam “sofrer [ou suportar] os maus. Mas tristemente, o coração deles não estava com o Senhor nisto (Ap 2:2-4).
                 Em Esmirna, qualquer declive estava temporariamente suspenso pelas grandes perseguições que vieram sobre a Igreja. A severidade da prova trouxe-os de volta ao Senhor.
                 Em Pérgamo, quando os tempos da grande perseguição terminaram, “o anjo da igreja”, começa a tolerar alguns que seguem “a doutrina de Balaão”, que é mundanismo e idolatria. O anjo também tolerou os que tinham “a doutrina dos Nicolaítas”, que é o clericalismo (veja: Ordenação no capítulo 3), O anjo não foi acusado de seguir essas doutrinas, mas o Senhor encontrou falta neles porque não denunciaram o mal, como fez o anjo em Éfeso.
                 Em Tiatira, uma condição pior prevaleceu. “O anjo da igreja” permitiu que a mesma má doutrina e prática que foi sustentada por alguns em Pérgamo fosse agora ensinada! (compare Ap 2:14 com 2:20). O que começou com alguns sustentando má doutrina terminou com muitos ensinando má doutrina. Isto mostra que se o seguir o mal não é julgado, isso levará a que ele seja propagado. Em Tiatira, o ensino desse mal se desenvolveu num sistema de coisas chamado de “Jezabel”, o que certamente corresponde ao Catolicismo. Na Idade Média, esse sistema iníquo tinha um controle tão tirânico sobre toda a Igreja que, com sua força e organização, controlou o anjo! Aqueles que tinham o lugar de responsabilidade falharam em lidar com isso quando podiam, e agora se tornou num monstro que os controlava! (compare At 27:14,15). O “euro-aquilão” – um grande vento Mediterrâneo – arrebatou o navio, e os marinheiros não podiam fazer nada, senão “deixando o navio ir” (JND). A figura de “Jezabel” é apropriadamente usada aqui porque essa mulher não só levou a idolatria para Israel formalmente, mas ela também controlou e manipulou seu marido, rei Acabe.
                 Tal sendo o caso do estado público da Igreja, onde não restou poder algum para tratar com o mal, o Senhor separou um remanescente dizendo, Mas Eu vos digo a vós, e aos restantes [remanescentes]...” (Ap 2:24) e a partir de então deixou a multidão ir. Aqui temos a palavra “remanescente” usada em conexão com o testemunho Cristão. A partir desse momento, o Senhor trabalharia com um remanescente que ouviria o que o Espírito diz às igrejas. É significativo que Ele não colocou sobre eles “a carga [encargo] de pôr em ordem a confusão no testemunho Cristão numa tentativa de trazê-lo de volta ao que foi uma vez. Em vez disso, Ele dirigiu o foco deles em direção à Sua vinda dizendo retende-o até que Eu venha” (Ap. 2:25).
                 Daquele ponto em diante uma mudança marcante é vista nos caminhos do Senhor com a Igreja. Até este ponto, a voz do Espírito era para toda a Igreja. O que o Espírito diz às igrejas precedia a promessa ao que vencer nas três primeiras igrejas. Nas três primeiras igrejas a recompensa ao que vencer foi definida diante de toda a Igreja, porque o Senhor ainda estava tratando com ela em sua totalidade, para trazê-la, se possível, de volta ao ponto de partida. Mas deste ponto para frente a ordem é inversa. O chamado para ouvir o que o Espírito diz às igrejas segue a promessa ao que vencer. Esta é a ordem nas quatro últimas igrejas. Isto quer dizer que o que o Espírito tem a dizer não mais é dado à multidão, porque não se espera que a multidão ouça; somente um remanescente vai ouvir e responder. O que Paulo predisse a Timóteo de que as massas “não suportariam a sã doutrina” (ATB), aconteceu (2 Tm 4:2-4) e, portanto, o Espírito não mais está falando ao corpo, como um todo, sobre a verdade da Igreja.
                 Comentando esta mudança, J. N. Darby disse que o corpo, como um todo, é “deixado de lado” deste ponto em diante porque a massa pública na profissão Cristã é tratada como sendo incapaz de ouvir e se arrepender. W. Kelly disse, “O Senhor desde então coloca a promessa (ao que vencer) antes, e isto porque é vão esperar que a Igreja, como um todo, receba isto... apenas um remanescente vence, e a promessa é para eles; quanto aos outros, está tudo acabado”. Como resultado, todo o pensamento de recuperar a Igreja como um todo é abandonado porque ela atingiu um ponto onde não há recuperação. Tendo isso em mente, o Espírito de Deus não está falando necessariamente a cada pessoa na Cristandade hoje em dia a respeito da verdade da reunião. Com a maioria, Ele os está deixando seguir seu próprio caminho com suas afiliações eclesiásticas.
                 Trabalhando com um testemunho remanescente desde aquele tempo, o Senhor recuperou a verdade que se perdeu por meio do descuido da Igreja nos séculos passados. No entanto, Ele não achou oportuno recuperar toda a verdade ao mesmo tempo. O remanescente referido em Apocalipse 2:24-29 são os Valdenses, e outros como eles que se separaram do mal de “Jezabel” nos tempos Medievais. Foi dito a eles: “guarda o que tens” da pequena verdade que tinham. Algum tempo depois, levando à Reforma, o Senhor permitiu a recuperação de um pouco mais da verdade – como a supremacia da Bíblia e a fé em Cristo apenas para a salvação. Mas aquele movimento do Espírito foi impedido pelos Reformadores que recorreram a certos governos nacionais para ajuda contra as perseguições da Igreja de Roma. Isto foi equivalente a se utilizar da carne e do mundo por ajuda em vez de confiar no Senhor (Jr 17:5; Sl 118:8,9; Is 31:1). O resultado foi a formação de grandes igrejas nacionais na Cristandade, e a morte do Protestantismo começou, como retratada na igreja de Sardo (Ap. 3:1-6).
                 Não foi até o início dos anos 1800 que o Senhor deu total recuperação da verdade. Isto aconteceu quando os homens se afastaram de toda organização formal feita por homem na Igreja. Isto é retratado na carta do Senhor à igreja de Filadélfia (Ap 3:7-13). Naquele tempo, Deus estabeleceu um testemunho coletivo da verdade do um corpo. Antes disso, o remanescente havia sido composto de indivíduos que procuraram seguir fielmente em separação da corrupção da Igreja de Roma. Estamos agora em dias onde cada um faz o que parece reto aos seus olhos (Jz 21:25), e a maioria é complacente em seu fraco estado. Isto é retratado na igreja de Laodicéia (Ap 3:14-22).
                 A questão para vermos aqui é que o testemunho Cristão alcançou um ponto irremediável de ruína, e isto exigiu uma mudança nos caminhos do Senhor para com ele. Ele abandonou qualquer tentativa de restaurar o estado público da Igreja como um todo e está trabalhando agora em um testemunho remanescente. Aqueles reunidos ao nome do Senhor não são exatamente um remanescente. Corretamente falando, todos os verdadeiros crentes entre a massa de meros professos na Cristandade o são, mas, eclesiasticamente, eles ocupam uma posição de remanescente no testemunho, e estão onde o remanescente (todos os crentes verdadeiros) deveria estar, reunido ao nome do Senhor.
                 Assim como em Israel, para manter hoje um testemunho remanescente da verdade do um corpo, o Senhor não precisa que todo Cristão no mundo se reúna ao Seu nome, apesar de que isso é o Seu desejo para eles (1 Tm 2:4). Como mencionado, o exato significado da palavra “remanescente” implica que nem todos estão lá. Em divina prerrogativa e graça, Deus está tomando um aqui e outro ali, e Ele os está reunindo ao nome do Senhor, para que este testemunho remanescente possa continuar.

Segunda a Timóteo 2:19-22
                 A palavra “remanescente” não é usada em 2 Timóteo 2:19-22, mas esta passagem dá este princípio. Ela se concentra nos exercícios que precisamos ter para sermos levados a uma posição de remanescente em dias de desordem do testemunho Cristão. Paulo apresentou o caminho a Timóteo e a nós. Ele disse, “qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade. Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas [desses, em se separando deles – JND], será vaso para honra, santificado e idôneo [útil – JND] para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra. Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” (2 Tm 2:19-22).
                 Muitas vezes tem sido dito que esta passagem é a carta para o crente em um dia de ruína e fracasso. A condição arruinada da profissão Cristã é comparada a “uma grande casa”. A casa é vista em desordem e caracterizada pela mistura de coisas nela – algumas honrosas outras desonrosas. Os vasos de “ouro e prata” falam dos verdadeiros crentes, os vasos de “pau e barro” dos falsos professantes. Eles são vistos todos juntos misturados. Uma vez que a associação com o mal corrompe (1 Co 15:33; 1 Tm 5:22; Ag 2:10-14; Dt 7:1-4; Js 23:11-13; 1 Rs 11:1-8, etc.), os vasos de ouro e prata são vistos como corrompidos por sua associação com os vasos de pau e barro. A contaminação pode decorrer da associação tanto com as próprias pessoas, quanto com seus princípios e práticas errôneos – quer seja doutrinal, moral ou eclesiástica.
                 Quando o apóstolo se refere aos vasos “para honra” e “para desonra”, parece que ele está indicando o estado dos vasos. Enquanto todos os que são meros professantes na casa são vasos para desonra, nem todos os verdadeiros Cristãos podem estar igualmente em honra. Se crentes não estão indo bem com o Senhor podem também ser classificados como vasos para desonra. Mesmo sendo poucos, são os vasos para a honra que são santificados.
                 O ponto não é ser meramente vaso “para honra”, mas ser um “santificado” vaso “para honra”. Isto envolve purificar-se da mistura pela separação. Estes versículos claramente ensinam que não é impossível ser um vaso santificado se permanecemos em comunhão com a corrupção da casa. A simples associação com má doutrina é suficiente para nos contaminar, mesmo que pessoalmente não sigamos ou pratiquemos o mal. Portanto, o grande exercício para o crente que deseja ser fiel é "apartar-se" da injustiça e da iniquidade separando-se da mistura na casa. Assim, ele se torna um vaso “santificado” para honra. É a separação que deve ser praticada na casa de Deus. O crente não é chamado a deixar a casa, porque isso significaria abandonar completamente a profissão Cristã, mas se separar da sua desordem. (compare Provérbios 25:24). Nem é chamado a “purificar” a casa de tudo que desonra o Senhor, mas sim “purificar-se” da mistura na casa.

“Se Purificar Destes” e “Seguir Com Aqueles”
                 O exercício é duplo: primeiro dissociar, e então associar. Isto é indicado nas palavras, “se purificar destes” (v. 21 – JND), e “segue... com aqueles” (v. 22 - ATB). Os crentes devem se separar da mistura na casa, e seguir com aqueles que invocam o Senhor com um coração puro” (ATB). Esta ordem é consistente em toda a Escritura (Is 1:16,17; Rm 12:9, 13:12; Sl 34:14; 3 Jo 11). Estudiosos dizem que “purificar destes”, está no genitivo plural no Grego, e seu significado é abrangente em aplicação podendo incluir pessoas, princípios e coisas – isto é, todo o estado misturado de coisas na casa. Significa dizer que o crente fiel deve se dissociar de tudo o que for contrário à verdade de Deus, de tudo aquilo que nega o que a verdadeira Igreja é sob Cristo, a Cabeça, e daqueles que negam o verdadeiro lugar do Espírito Santo como Guia. Fazendo isto, o crente se torna um “santificado” vaso “para honra”.
                 Isto quer dizer que temos que nos separar de alguns crentes verdadeiros que não estão preocupados com sua associação ao erro e à confusão. Se verdadeiros crentes estão contentes em seguir em comunhão com a confusão, não temos escolha senão nos separarmos deles também. Isto é algo doloroso e um teste real da nossa disposição em agir sob os princípios da Escritura. Uma vez que estamos nos separando de verdadeiros crentes, deveríamos senti-lo profundamente. Não obstante, o chamado do Senhor tem precedência sobre o amor aos irmãos. Na verdade, a prova do nosso amor pelos nossos irmãos será vista na nossa obediência a Deus. Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os Seus mandamentos” (1 Jo 5:2). Contudo, estejamos atentos contra a atitude de pensar que somos melhores ou mais espirituais do que aqueles de quem nos separamos. O espírito adequado ao nos purificarmos da mistura dos vasos na casa envolve julgamento próprio e não justiça própria.
                 Quando o crente faz isto, então o Senhor o guiará para comunhão “com os que”, onde ele poderá praticar toda a verdade de Deus – tal como a verdade de o um corpo na prática – embora este seja em um remanescente. Observe também que o exercício de dissociação é imposto primeiramente em nós. O caminho para associar-se “com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” não será encontrado até que tenhamos agido na luz que temos quando nos separamos daquilo que sabemos, pelas Escrituras, ser inconsistente com a casa. É somente então que o Senhor nos dará mais luz.
                 Associando-se “com os que” mostra que a resposta à confusão sem esperança na casa não é o isolamento. Podemos ser tentados a erguer nossas mãos em frustração e nos resignar a seguir apenas como indivíduos, mas a separação não deveria levar ao isolamento. O versículo 22 mostra que o Senhor proverá alguns com quem poderemos andar e praticar a verdade. Não será com todos os membros do corpo, mas haverá alguns – um testemunho remanescente. Se uma pessoa é verdadeiramente exercitada, cremos que o Senhor a guiará no caminho. Observe também que não diz “Segue... os que”, o que seria meramente seguir homens. Mas diz, “Segue... com os que,o que implica que eles também estão seguindo e que temos de nos juntar “com eles” seguindo o Senhor e os princípios da Sua Palavra.

Cristãos Biblicamente Reunidos ao Nome do Senhor Não São o Remanescente de Deus no Cristianismo
                 Nós não devemos supor que os Cristãos reunidos biblicamente ao nome do Senhor são o remanescente de Deus hoje em dia. Corretamente falando, todos os crentes verdadeiros no meio da multidão de meros professos na Cristandade são o remanescente de Deus. Aqueles reunidos biblicamente simplesmente ocupam a posição de remanescente em testemunho, e estão onde todo o remanescente (todos os crentes verdadeiros) deveria estar, reunido ao nome do Senhor. Então, este é o testemunho de reunião conforme a Escritura e deveria conter as marcas de um testemunho remanescente.

As Características Gerais de um Remanescente

                 Em condições normais e se o estado for bom, as características daqueles reunidos numa assembleia bíblica, em um dia de ruína, serão as mesmas do remanescente do livro de Esdras. Algumas dessas características são:

Eles Sentiram e Confessaram o Fracasso Coletivo do Povo de Deus – Daniel 9:3-19; Esdras 9,10:1
Os exercícios do remanescente que voltou à Jerusalém no livro de Esdras começaram com a oração e humilhação de Daniel. Deuteronômio 30:1-6 e 1 Reis 8:46-50 afirma que quando o povo de Deus falhasse e seus inimigos os tivessem levados cativos, se eles orassem em verdadeiro arrependimento, Deus proveria libertação e um retorno à sua terra. Daniel orou essa oração e Deus manteve Sua promessa. Ele soberanamente promoveu um retorno de um remanescente dos Judeus (Esdras 1).
                 Igualmente, aqueles em assembleias reunidas biblicamente reconhecerão sua parte na confusão triste e desonrosa a Deus que existe na profissão Cristã. Eles confessarão que falharam juntamente com todo o povo de Deus e que contribuíram para a ruína e o fracasso comum na Cristandade. Eles não se colocarão acima, como sendo melhores do que outros Cristãos, mas serão marcados por verdadeira humilhação (Is 66.2).

Eles Se Libertaram Da Confusão Na Babilônia, Se Separando Dela - Esdras 2:1-60
                 Judeus de todas as esferas da vida foram exercitados para retornar a Jerusalém – sacerdotes, Levitas, cantores, servos, etc. Eles “saíram” da Babilônia e se separaram dela. Ninguém os coagiu a fazer isto; foi um exercício pessoal da parte do povo. Provavelmente foi algo emocional e doloroso, porque significava para muitos uma despedida dos seus irmãos que escolheram permanecer na Babilônia.
                 Igualmente, aqueles que foram reunidos biblicamente ao nome do Senhor terão passado pelos mesmos exercícios, e se separado da confusão da grande casa da profissão Cristã – da qual Babilônia é uma figura (2 Tm 2:19-22). Eles não deixaram a casa da profissão Cristã, mas procuraram retornar aos primeiros princípios na Palavra de Deus de como se reunir.

Eles Não Alegaram Ter Poderes Que Foram Perdidos Nos Fracassos Anteriores – Esdras 2:61-63
                 Os Judeus que retornaram a Jerusalém sabiam que eram apenas um remanescente do povo de Deus, e, portanto, não tiveram a pretensão de ter os poderes que a nação uma vez teve nos seus primeiros dias. Eles não tinham a nuvem de glória (Shekinah em hebraico - Êx 13:21,22; 2 Cr 5:13,14; Ez 8:4), nem o “Urim e Turim” (Êx 28:30; Ed 2:63). Esses símbolos de poder já haviam desaparecido e isso os lançou em direção ao Senhor por ajuda.
                 Igualmente, aqueles reunidos ao nome do Senhor não alegam ter milagres e sinais apostólicos, nem poder de ordenação, como a Igreja uma vez teve em seus primeiros dias. Nem fingem ter grandes dons; na melhor das hipóteses eles têm “pouca força” (Ap 3:8). Eles reconhecem que estão em um “dia das coisas pequenas” (Zc 4:10).

Eles Espontaneamente Deram suas Possessões à Causa para apoiar o Testemunho Remanescente – Esdras 2:64-70
A realidade da fé do povo no livro de Esdras foi provada pela sua disposição de “voluntariamente” dar suas possessões em suporte ao testemunho na forma monetária. Cada um “deu conforme as suas posses.
                 Igualmente, aqueles em assembleias reunidas biblicamente deveriam dar suas possessões que darão suporte a causa de Cristo e o testemunho remanescente com o qual estão identificados (Compare 2 Co 8:11,12).

Eles Procuraram Agir em Unidade Prática em Todos os Assuntos – Esdras 3
O remanescente em Esdras agiu unido “como um só homem” em tudo o que faziam (v. 1), não somente em sua adoração, mas também em seu serviço para o Senhor e sua comunhão prática de um com outro.
q  Eles se ajuntaram “como um só homem” (v. 1)
q  Eles trabalharam “como um só homem” (v. 9)
q  Eles cantavam “juntos” (v. 11)
                 Igualmente aqueles que estão conectados com o testemunho remanescente hoje deveriam ser marcados pela procura em guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4:3 – ARA). Isto pode ser feito em muita fraqueza, mas é seu objetivo e desejo.

Eles Seguiram a Palavra de Deus em Tudo o que Faziam – Esdras 3
                 O remanescente em Esdras era cuidadoso em seguir a Palavra de Deus em tudo que faziam em adoração e serviço. Muitas vezes diz, “Como está escrito” (Ed 3:2, 4).
                 Da mesma forma, o testemunho remanescente no Cristianismo deveria ser marcado pelo cuidadoso seguir da Palavra de Deus em todas as coisas que tenham a ver com adoração e serviço. Podemos nem sempre ter um versículo específico para tudo, mas deveríamos ter um princípio bíblico para nos guiar.

Eles Experimentaram Oposição por Conta do Terreno que Escolheram em Separação da Corrupção na Terra – Esdras 4
                 O remanescente em Esdras tinha “adversários”. Eram pessoas na terra que eram contrárias à posição que os Judeus fiéis tomaram em Jerusalém em separação da mistura de princípios religiosos que estavam sendo praticada ao redor deles.
                 Da mesma forma, aqueles que se reúnem ao nome do Senhor Jesus “fora do arraial” vão experimentar “vitupério”; isto provém de ser identificado com tal testemunho (Hb 13:13; Ap 3:9). A objeção mais forte à reunião sob princípios bíblicos para adoração e ministério, normalmente vem daqueles que professam conhecer o Senhor.

Eles tinham um Ministério Profético Forte em seu Meio – Esdras 5
                 Deus levantou profetas no meio do remanescente no tempo de Esdras para fortalecer e encorajar o povo a continuar no trabalho que estavam fazendo para o Senhor. Eles foram muito usados pelo Senhor. “Ageu” pregou sobre o estado moral do povo, para que suas vidas fossem encontradas como agradando o Senhor. “Zacarias” tornou o coração do povo para o futuro – à vinda do Senhor quando o reino seria estabelecido em poder e glória.
                 Igualmente, o Senhor usará homens para ministrar a Palavra de Deus para fortalecer e edificar aqueles naquela posição de remanescente no Cristianismo hoje em dia. Estes podem ser irmãos locais (1 Co 16:15-18; 1 Tm 5:17), ou aqueles que os visitam, de outras assembleias (At 14:21,22; 1 Co 16:10-12).

Eles não Pretendiam ser Todo o Povo de Deus, mas Admitiram que Eram Meramente um Remanescente – Esdras 6:16-22
                 O remanescente em Esdras seguiu em frente humildemente em sua adoração e serviço. Eles não pretendiam ser todo o Israel, mas ofereceram uma oferta pelo pecado pelas doze tribos de Israel. Fazendo isto, eles confessaram sua parte no fracasso da nação. É significante, entretanto, que eles comeram a Páscoa apenas com aqueles que se separaram da contaminação na Terra.
                 Igualmente, os reunidos ao nome do Senhor hoje não pretendem ser a Igreja de Deus em sua totalidade, nem pensam que são o remanescente de Deus hoje. Eles reconhecem que são poucos, e voluntariamente confessam sua parte no fracasso público da Igreja. Entretanto, apenas comem a Ceia do Senhor (o antítipo da Páscoa) com aqueles que se separaram da contaminação – moral, espiritual e eclesiástica.
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                 Estas são algumas características proeminentes que marcam a assembleia reunida biblicamente. No entanto, será assim apenas quando o estado do povo for bom e estiverem andando com o Senhor. É possível estar numa posição correta (eclesiasticamente), mas numa condição errada (espiritualmente). O livro de Malaquias ilustra isto. Os Judeus daqueles dias retornaram ao centro de Deus (Jerusalém), mas estavam claramente em um estado inadequado de alma. Portanto, assumindo que as assembleias reunidas ao nome do Senhor estão em um estado razoavelmente bom, essas características vistas no remanescente em Esdras serão vistas neles também.

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