domingo, 18 de março de 2018

8) Uma assembleia bíblica terá uma variedade de reuniões, como na igreja primitiva

Número Oito

Uma Assembleia Bíblica Terá Uma Variedade de Reuniões Como na Igreja Primitiva


                 A exortação nas Escrituras é de não abandonarmos “a nossa congregação” (Hb 10:25). Procurando no livro de Atos e nas Epístolas, vemos que a Igreja primitiva “perseverava” em se ajuntar numa variedade de reuniões (At 2:42). Uma assembleia baseada nas Escrituras hoje, sob condições normais, terá um menu repleto de reuniões também. Essas reuniões se enquadram em duas categorias:

q  Reuniões da assembleia
q  Encontros da assembleia

"Reuniões da Assembleia" são reuniões onde o Senhor está no meio, no sentido coletivo (Mt 18:20), conduzindo e guiando os procedimentos pelo Espírito Santo – podendo ser em adoração, oração, ministério ou para as decisões administrativas necessárias. Nessas reuniões nada é pré-arranjado quanto a quem vai fazer o quê; tudo é deixado ao Senhor para dirigir no espírito de santa espontaneidade.

"Encontros da Assembleia", por outro lado, são ocasiões onde os santos se ajuntam para ministério, comunhão e encorajamento, onde a responsabilidade é dada a um irmão, que tenha algum dom para pregar ou ministrar a Palavra, para conduzir a reunião. Ele é responsável para com o Senhor e a assembleia para pregar e ensinar de acordo com as Escrituras e usar o tempo para proveito espiritual e encorajamento dos santos assim reunidos. Não é que essas reuniões sejam menos importantes, mas o caráter delas é totalmente diferente.

Reuniões da Assembleia

PARTIMENTO DO PÃO – Esta reunião é referida como sendo a principal reunião da assembleia. Também é chamada de “A Ceia do Senhor” (1 Co 11:20).

q  nos evangelhos a Ceia foi instituída (Lc 22:19-20)
q  em Atos foi celebrada (At 2:42, 20:6-7)
q  nas Epístolas aos Coríntios foi exposta (1 Co 10:16-17, 11:23-26)

                 O propósito da Ceia do Senhor é simplesmente nos lembrar d'Ele em Sua morte como Ele pediu – “fazei isso em memória de Mim” (Lc 22:19). Nós não vamos à Ceia do Senhor para relembrarmos dos nossos pecados; nós vamos para nos lembrarmos d'Ele. Isto não é um mandamento, mas adquire a força de um mandamento num coração que O ama. A afeição por Cristo fará com que o crente responda a esse pedido. O partimento do pão não é chamado de reunião de adoração, mas a recordação dos sofrimentos do Senhor na Sua morte não pode, senão, invocar adoração dos corações dos santos reunidos para participar da ceia. Quando o Senhor a instituiu, eles fizeram três coisas:

q  agradeceram (Mt 26:26,27)
q  fizeram referência às Escrituras (Sl 113-118 – Mt 26:30)[1].
q  cantaram um hino (Mt 26:30)

                 Disto aprendemos que ler passagens pertinentes nas Escrituras, cantar hinos e dar graças têm seu lugar no partimento do pão.
                 Aprendemos de Atos 20:6,7 e 1 Coríntios 16:2 que era hábito dos discípulos na Igreja primitiva se reunirem no primeiro dia da semana para “partir o pão” e fazer a “coleta”. Hebreus 13:15,16 conecta o sacrifício de louvor com o sacrifício das nossas possessões materiais e assim sugere à mente espiritual que eles devem ser feitos juntos na ceia como parte da adoração.
                 Cristãos se reunindo no “primeiro dia da semana” não era algo feito apenas em Corinto e Trôade; era o que "os discípulos" do Senhor faziam universalmente. Isto indica o tempo específico quando a Igreja deveria partir o pão. Nota: isto não era feito no primeiro dia do Senhor de todo mês, ou a cada trimestre – como é prática em muitos círculos Cristãos hoje em dia – mas era um costume semanal no dia da ressurreição. Eles não se reuniam para se encontrarem com o apóstolo Paulo ou para ouvir um sermão, mas para partirem o pão.
                 A maneira como a ceia deve ser comida é em um estado de julgamento próprio. O apóstolo Paulo disse, “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice” (1 Co 11:28). Então a ceia é para ser comida de uma maneira santa e reverente. Ele avisa que se nós comermos sem julgar-nos a nós mesmos, poderemos incorrer no julgamento governamental do Senhor em nossas vidas – citando exemplos como enfermidades e até morte (1 Co 11:27-34). Se participar da ceia do Senhor dependesse do nosso merecimento pessoal, ninguém na Terra poderia participar dos emblemas, porque ninguém é digno em si mesmo. Só somos dignos por causa do que Cristo fez na Sua obra consumada na cruz. Ele nos adequou à presença de Deus pelo que Ele realizou na redenção.
                 Como em toda reunião da assembleia, o Senhor está no meio para guiar os procedimentos pelo Espírito. Uma assembleia reunida em conformidade com as Escrituras não terá um ancião ou homem designado para conduzir o serviço. Reunindo-se e esperando pelo Senhor, Ele guiará um irmão aqui e outro irmão ali para oferecer gratidão e louvor como porta-voz da assembleia. Tudo será conduzido espontaneamente, conforme o Espírito dirige.
                 Outro aspecto da verdade, subsidiária à característica central da recordação estabelecida na Ceia do Senhor, é que “o pão que partimos” representa o corpo místico de Cristo (Rm 12:4,5; 1 Co 12:12,13; Ef 1:22,23; Cl 1:18). 1 Coríntios 11:23-26 se refere ao corpo pessoal do Senhor no qual Ele realizou a redenção na cruz. Ao comermos o pão na Ceia neste aspecto, temos comunhão com Ele naquilo que realizou em Seu corpo para a glória de Deus. Mas 1 Coríntios 10:15-17 se refere ao Seu corpo místico composto por muitos membros (1 Co 12:12,13). Participando do pão neste aspecto expressamos “comunhão” uns com os outros como membros daquele “um corpo”.
                 Como o ato de partir o pão expressa que somos “membros uns dos outros” (Ef 4:25) em um corpo, somente aqueles que são comprovadamente membros do corpo de Cristo deveriam participar do pão. Portanto, a reunião para partimento do pão numa assembleia baseada nas Escrituras não terá uma comunhão aberta, nem uma comunhão fechada, mas em vez disso, uma comunhão guardada no que se refere a quem pode participar, como mencionado anteriormente. Uma assembleia baseada nas Escrituras vai receber à Mesa do Senhor somente aqueles que são piedosos no caminhar e sãos na doutrina.

REUNIÃO DE ORAÇÃO – Nesta reunião a assembleia local comparece diante do “trono da graça” (Hb 4:16), num sentido coletivo – numa oração unida. Podemos orar particularmente em casa e recebermos respostas a essas orações, se pedirmos de acordo com a vontade de Deus, mas não há nada como as orações feitas na reunião de oração. É uma reunião absolutamente vital para a Igreja expressar sua dependência e suas necessidades ao Senhor desta maneira. Uma assembleia que não tenha uma reunião regular de oração não poderá esperar prosperar espiritualmente. Portanto, o tempo estabelecido para oração coletiva é vital e essencial para todas as assembleias. Das numerosas referências do livro de Atos podemos ver que a Igreja primitiva tinha esse tipo de reunião e a Igreja de hoje também deveria tê-la (At 2:42, 4:23-33, 12:12-17, 13:3 etc.).
                 A reunião de oração é o momento quando as necessidades e fraquezas são expressadas, e onde as respostas aos pedidos são esperadas. Não é o momento para longas e desconexas orações, ou pior ainda, ensinar aos santos enquanto estão de joelhos. O que caracterizou as reuniões de oração nas Escrituras foi a precisão. Eles geralmente tinham algum pedido específico ou necessidade que traziam ao Senhor em oração, e estavam completamente concordes naquilo que pediam, orando “unânimes”. Somos encorajados a nos aproximarmos com “confiança ao trono da graça” e fazer nossas “petições” (Hb 4:16; Fp 4:6). Nestas reuniões os irmãos que oram audivelmente agem como porta-vozes de todos os que estão presentes naquela ocasião. Eles levam as preocupações daqueles na assembleia à Cabeça da Igreja. Não há necessidade de haver um líder que ore (Ne 11:17) porque o Espírito Santo preside nesta reunião e Ele guiará os irmãos para audivelmente expressarem as preocupações da assembleia ao Senhor.
                 A reunião de oração pode ser considerada “a reunião termômetro”, porque a temperatura ou estado geral daqueles numa assembleia em particular pode frequentemente ser discernido pelo interesse e comparecimento deles a esta reunião. O “tom” desta reunião é a manifestação da condição espiritual da assembleia como um todo.

REUNIÃO ABERTA – Esta é a reunião para o ministério da Palavra de Deus (1 Co 14:26-33). Como o Senhor está no meio e dirigindo esta reunião da assembleia pelo Espírito, Ele conduzirá dois ou três irmãos a ministrarem algo das Escrituras que será de proveito para a assembleia. As Escrituras dizem “falem dois ou três profetas, e os outros julguem” (1 Co 14:29). Aqueles que atuam como profetas nesta reunião devem falar para “edificação, exortação e consolação” dos demais (1 Co 14:3).
                 Uma vez que a reunião é aberta à condução do Espírito para usar qualquer um “como Lhe apraz” (1 Co 12:11 - ATB), alguns têm confundido esta reunião como se fosse um momento para a carne ter a liberdade nas coisas divinas e então ocupam o tempo sem proveito. Este foi o problema em Corinto. Eles abusaram desta reunião e a tornaram em algo aberto-para-todos (1 Co 14:26). Parece que todos tinham algo que queriam “mostrar e dizer”, não importando se iria edificar ou não a assembleia. Eram tão ansiosos para falar que acabavam tropeçando uns nos outros. Alguns queriam usar seu dom de línguas, mas eles não tinham intérprete para trazer o que foi dito numa linguagem comum àqueles na assembleia. O resultado era que ninguém tinha proveito disso.
                 Isso precisava ser regulado. Foi o que o apóstolo fez escrevendo a eles. Ele mostra que o ministério nas reuniões é para ser feito de maneira ordenada. “Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro” (v. 30). Em outras palavras, era para eles não interromperem um ao outro, mas esperar até que o primeiro que falava tivesse terminado antes do próximo irmão falar. Todas as coisas eram para serem feitas decentemente e em ordem (v. 40). Ele nos diz que se uma pessoa persiste em falar com pouco ou nenhum proveito, a assembleia tem o recurso de poder “julgar” o seu ministério daquela pessoa e fazê-la silenciar (v. 29).
Nesta passagem (1 Co 14) o apóstolo afirma três coisas que são para regular o ministério nas reuniões da assembleia:

q  Devemos dar lugar à direção do Espírito, que está implícito na palavra “permita que”[2] – 8 vezes (vs. 26-30).

q  Os profetas devem ter autocontrole sobre seu próprio “espírito” (v. 32).

q  A assembleia deve exercitar julgamento administrativo de silêncio sobre aqueles que não estão sujeitos à direção do Espírito, e aqueles que não controlam seus próprios espíritos (v. 29).
REUNIÃO PARA AÇÕES DE DISCIPLINA – Num mundo perfeito não haveria necessidade desta reunião, mas enquanto a Igreja estiver na Terra, e tivermos a carne em nós, haverá manifestações de pecados nos santos, se eles negligenciarem julgarem a si mesmos. Consequentemente, haverá necessidade de ações disciplinares pela assembleia sobre aqueles que não controlam os impulsos da carne nas suas vidas.
                 Quando uma assembleia toma uma decisão requerida para silenciar um irmão, ou excomungar alguém (Mt 18:18-20), isto deve ser feito em assembleia quando os santos “estão reunidos” e o Senhor está no meio (1 Co 5:4). Esta ação deve ser contra qualquer forma de pecado de que uma pessoa seja acusada. Esta ação não é feita por um grupo de irmãos ou anciãos, à parte da assembleia, mas pela assembleia quando está reunida (At 15:22). Uma reunião para uma ação disciplinar ocorre normalmente junto à reunião do partimento do pão porque o partimento do pão é onde a unidade do corpo e a comunhão à Mesa do Senhor são expressas. Uma vez que a pessoa é “colocada fora” do meio da comunhão dos santos à Mesa do Senhor, é apropriado que isso seja junto à reunião do partimento do pão (1 Co 5:12-13).
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                 Olhando para essas reuniões da assembleia que as Escrituras apresentam e então para a comunhão denominacional na Cristandade, nós vemos que a Igreja hoje nem mesmo tem essas reuniões nos seus serviços – pelo menos com algum tipo de regularidade. A maioria das reuniões que vemos hoje é o que é chamado de “culto familiar” onde as pessoas se reúnem para ouvir um sermão e louvar ao Senhor. Se a Ceia do Senhor é mantida, ela é usualmente feita uma vez por mês ou uma vez a cada três meses – e é parcamente reconhecível em relação ao que lemos nas Escrituras. Por exemplo, o pão inteiro, que é o emblema do corpo de Cristo, é usualmente substituído por hóstias. Também, se reuniões de oração são feitas no meio da semana, há um líder de oração indicado. Reuniões abertas são desconhecidas, bem como reuniões para ações disciplinarias e excomunhão.
Encontros da Assembleia

                 As reuniões nesta segunda categoria têm um caráter diferente daquelas as quais nós chamamos de “reuniões da assembleia”. A principal diferença é que estas reuniões são realizadas por irmãos responsáveis dotados, em vez de ser sob a direta e espontânea direção do Espírito. Isto não quer dizer que o Espírito de Deus não seja necessário ou que não se dependa d'Ele nestas reuniões; aqueles que falam deveriam ser “cheios do Espírito” (Ef 5:18) e “guiados pelo Espírito” (Rm 8:14).

REUNIÃO DE LEITURA – O essencial para uma reunião de leitura da Bíblia é mencionado em 1 Timóteo 4:13 onde diz: “Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá”. O “ler” que Paulo fala aqui não é a leitura pessoal e privada da Escritura ou ministério, mas daquela leitura pública das Escrituras quando os santos estão reunidos (margem da tradução de J. N. Darby). Este era o costume da Igreja primitiva de se reunir para ouvir a leitura das Escrituras. Era uma prática dos judeus nas sinagogas (At 13:15) que foi transportada (corretamente) ao Cristianismo. O fato de Paulo ter incluído “exortação” e “ensino” em 1 Timóteo 4:13 indica que após as Escrituras terem sido lidas em voz alta, havia a oportunidade para qualquer um que tivesse o dom da exortação ou de exposição da verdade, fazer comentários para a ajuda espiritual e compreensão dos santos. Isto é essencialmente o que é uma reunião de leitura da Bíblia. As Escrituras que eles liam eram as do Antigo Testamento, mas conforme o tempo passava e as epístolas eram escritas, estas também foram incluídas nessas leituras.
                 Isto era feito na Igreja primitiva porque a maioria naquele tempo não tinha uma cópia das Escrituras. Era uma forma de todos ouvirem a Palavra de Deus e obterem algum ministério útil. Também, alguns antigamente eram iletrados e não podiam ler mesmo que tivessem uma cópia das Escrituras. Além disso, essas ocasiões promoviam comunhão. “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão” (At 2:42). A reunião de leitura da Bíblia é ainda um maravilhoso meio de aprender a verdade.
                 Paulo encorajava Timóteo a participar dessas reuniões de leitura e aproveitar a oportunidade para exercitar seu dom em exortação e ensino. Ele disse que definitivamente Timóteo tinha o dom para isso, e não deveria negligenciar seu uso. Paulo também o lembrou de que ele tinha o suporte dos irmãos mais velhos (“o presbitério”) que haviam reconhecido seu dom e haviam dado a ele a destra de comunhão no uso do dom (v. 14). Não deveríamos encorajar alguém nesse caminho se ele não tiver o dom para ministrar a Palavra. A pessoa pode embaraçar-se a si mesma e haverá pouco proveito espiritual para os santos. Embora a reunião deva ser usada por aqueles que podem ensinar, se não existir alguém presente com um dom específico para o ensino, os santos ainda podem ser alimentados. Se vários irmãos na reunião expressarem o que eles entendem em conexão com a passagem, em dependência do Senhor, Ele vai dar algo aos santos, porque Deus sempre abençoa a leitura da Sua Palavra (Ap 1:3).
                 Já que a reunião de leitura hoje em dia é realizada segundo o caráter de uma “reunião da assembleia”, alguns têm pensado que ela pudesse estar incluída na primeira categoria – e talvez ela devesse – mas os irmãos dos anos 1.800 a realizavam como um tempo para exposição pelos irmãos dotados, onde perguntas e respostas ocupavam grande parte da reunião.

PREGAÇÃO PARA CRENTES – Um exemplo desta reunião é encontrado em Atos 20:7. Diz: “Paulo, que havia de sair no dia seguinte, discutia [discursava] com eles, e prolongou o seu discurso até a meia noite”. Quando a ocasião surge, e há um irmão presente que tenha dom em ministrar a Palavra de Deus, a assembleia pode tirar proveito da oportunidade e pedir a ele por uma pregação. Ele vai escolher um tema que o Senhor tenha colocado em seu coração que seja de ajuda aos santos no entendimento da verdade que uma vez foi entregue aos santos (2 Pe 1:12; Jd 3). Ou então a reunião pode assumir o caráter de exortação e encorajamento. Se o irmão estiver naquela área por algum tempo, e os santos desejarem isso, ele pode fazer uma série de pregações num determinado assunto.
PREGAÇÃO DO EVANGELHO – Esta é uma reunião que normalmente não é realizada sob a responsabilidade da assembleia, embora possa ter alguma coisa a ver com ela se a reunião ocorrer no local que pertença à assembleia. Nós também relacionaríamos a Escola Dominical com esse tipo de reunião.
                 O propósito da reunião de pregação do evangelho é muito obvio – é pregar o evangelho. No livro de Atos vemos o apóstolo Paulo pregando o evangelho aos perdidos; na epístola aos Romanos ele fala anunciando-o aos crentes (Rm 1:15). Por isso, há lugar para os dois nas Escrituras. Podemos nos perguntar por que anunciar o evangelho aos crentes? Mas é importante como ajuda aos santos para se fundamentarem na verdade do evangelho e nas bênçãos relacionadas a ele. Quando o evangelho é anunciado aos santos, ele tem um caráter mais expositivo do que rogatório. Este era o propósito de Paulo ao escrever aos Romanos. Uma reunião de evangelho pode ocorrer em quase todos os lugares.

q  Em Atos 10:23,24 foi numa casa.
q  Em Atos 13:14-43 foi numa sinagoga.
q  Em Atos 16:25-34 foi numa prisão.
q  Em Atos 17:22-34 foi ao ar livre.

REUNIÃO PARA RELATAR UM TRABALHO MISSIONÁRIO – Um exemplo dessa reunião é encontrado em Atos 14:27. “E, quando chegaram e reuniram a igreja, relataram quão grandes coisas Deus fizera por eles, e como abrira aos gentios a porta da fé”. Estas reuniões dão aos santos a oportunidade para ouvirem o que o Senhor tem feito em campos estrangeiros. Não é para os obreiros se exaltarem pelo que estão fazendo para o Senhor (2 Rs 10:16), mas para apresentarem o que Deus está fazendo, salvando almas e as reunindo ao nome do Senhor Jesus Cristo.
                 Um irmão que trabalha numa terra estrangeira pode passar por um lugar, e a assembleia pode ter a oportunidade de ouvi-lo relatando sobre o trabalho naquele lugar. Ele pode expor um mapa ou mostrar algumas fotos do trabalho naquele lugar em particular onde ele e outros têm estado servindo. O propósito principal desta reunião é encorajar os santos locais a orarem pelo trabalho em vários lugares. Ouvir isso dessa maneira possibilita aos santos orarem mais inteligentemente. Isto também dá a eles a oportunidade prática de terem comunhão com o trabalho de maneira financeira. O resultado dessa reunião é que “... davam grande alegria a todos os irmãos” (At 15:3).

REUNIÃO DE CUIDADO – Esta reunião é de caráter diferente de todas as outras reuniões. As reuniões mencionadas anteriormente são para a assembleia como um todo, mas esta reunião não. É uma reunião privativa para os anciãos e irmãos responsáveis relativamente aos cuidados administrativos da assembleia (Gl 2:2 – “particularmente [ou privativamente]”).
                 Atos 15:6, 20:18 e 21:18 indicam que é totalmente aceitável irmãos responsáveis se reunirem separadamente da assembleia para tratarem questões administrativas. Essas referências não são exatamente modelos para reuniões de cuidado; aquelas foram concílios apostólicos que incluíam irmãos de diferentes localidades. Mesmo assim, tais referências dão os princípios para tais reuniões. Uma reunião de cuidado, como sabemos, é exclusivamente para irmãos locais.
                 Não é uma reunião “dos irmãos” como alguns costumam chamar, mas uma reunião de “cuidado” porque esta reunião não é necessariamente para todos os irmãos numa assembleia local. As Escrituras dizem: “Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto” (At 15:6). Não são mencionados irmãos jovens, novos convertidos ou irmãs. Aqueles que não estão estáveis na fé poderiam facilmente tropeçar quando vissem “guerras nos portões” (Êx 13:17,18; Jz 5:8). Além disso, os jovens na fé não tiveram suas consciências suficientemente esclarecidas nos princípios das Escrituras para serem capazes de formarem um julgamento espiritual acurado e, portanto, não seriam necessários nesse tipo de reunião. Conforme eles forem amadurecendo poderão participar e aprender como as coisas devem ser manejadas, observando os irmãos mais velhos e experientes.
                 Enquanto os irmãos, na reunião de cuidado, podem chegar a um caminho a seguir em conformidade com as Escrituras, que a assembleia tomar, em relação ao um assunto que deva enfrentar, eles não fazem nada separadamente da assembleia (At 15:22).

REUNIÃO DE COMUNHÃO (ou Festa de Amor) – Esta é uma reunião cujo objetivo é a comunhão. Judas fala dela como “vossas festas de amor” (Jd 12). Pedro também faz alusão a ela (2 Pe 2:13). É um tempo para os santos estarem juntos para refeição em comum para promover a comunhão.
                 A Igreja primitiva considerava importante a comunhão e “perseveravam” nela (At 2:42). A comunhão fortalece nossas ligações em Cristo e nos encoraja no caminho da fé. Notemos que comunhão Cristã é comunhão em relação ao que temos em comum como Cristãos – Cristo. Algumas vezes nos reunimos para esportes e recreação sem referência ao Senhor, e imaginamos que isso seja comunhão Cristã. Isto é realmente comunhão natural feita com Cristãos, e não há nada de errado com isso, mas a essência da comunhão Cristã é ter comunhão sobre as coisas Cristãs.
                 Os Coríntios fundiram esta reunião com a Ceia do Senhor e ela se tornou em algo que era uma desonra ao Senhor (1 Co 11:20-22). Eles também estavam comendo em suas festas de amor fazendo distinções de classes sociais, o que não era para ser feito na comunhão do povo do Senhor. Então, o apóstolo corrigiu essa desordem em suas observações.
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Resumo: Sob condições normais uma assembleia baseada nas Escrituras terá uma variedade de reuniões que vão ao encontro das necessidades dos irmãos na assembleia local. Note que não há menção nas Escrituras de reuniões de cura, reuniões de línguas ou reuniões de testemunhos. Estas reuniões são encontradas na Igreja hoje em dia, e podem ser interessantes, mas elas não são encontradas na Palavra de Deus, e, portanto, não serão encontradas numa assembleia baseada nas Escrituras.


[1] (N. do T.: na KJV a nota na margem indica que “cantavam salmos”)
[2] N. do T.: Nas versões inglesas KJV e JND é incluída a palavra “let” (permita). A seguir há uma sugestão de onde ela se encontraria, numa versão livre dos versículos de 1 Coríntios 14:26-30: “Que farei, pois, irmãos? Quando vos congregais, cada um tem salmo, tem ensino, tem revelação, tem língua, tem interpretação; [permita] que tudo se faça para edificação. Se alguém falar em língua, [permita que] não falem senão dois ou, quando muito, três, e cada um por sua vez; [permita que] haja um que interprete; mas se não houver intérprete, [permita que] esteja calado na igreja, e [permita que] fale consigo e com Deus. [Permita que] falem os profetas, dois ou três, e [permita que] os outros julguem; se for dada alguma revelação a outrem que estiver sentado, [permita que] cale-se o primeiro.”

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