terça-feira, 13 de março de 2018

INTRODUÇÃO

A PROCURA

por uma Assembleia

Reunida Biblicamente



INTRODUÇÃO


                   Se um companheiro Cristão viesse a mim e dissesse que estava procurando por uma boa Igreja baseada na bíblia para frequentar – e estivesse genuinamente buscando a vontade de Deus na questão – o que eu diria a ele? Esta é uma pergunta inquisitiva. Primeiramente, penso que o elogiaria por ter tido tal exercício, porque a maioria dos Cristãos hoje, ao que parece, não está preocupada sobre onde e como Deus quer que eles se reúnam para adoração e ministério. Deparar-se com uma pessoa preocupada com isso é bastante raro realmente, mas é um exercício bom e saudável que todos os Cristãos deveriam ter.
                   Na tentativa de ajudar a pessoa que está realmente procurando a vontade de Deus sobre o assunto, eu evitaria, tanto quanto possível, menosprezar as várias denominações Cristãs e grupos na Cristandade. Isto tende a colocar as pessoas na defensiva, e pode levá-las a um estado de espírito argumentativo – e todos sabemos que pouco do que é de proveito obtém-se numa discussão.
                   Muitos líderes Cristãos diriam a ele: “Vá à igreja da sua escolha”. Isto, eu creio, é um erro, porque faz a pessoa pensar numa linha totalmente errada. Ouvindo tal comentário ele pode perguntar a si mesmo, “Que tipo de comunhão de igreja eu gostaria?” Ou, “Em que tipo de grupo de igreja eu estaria melhor?” Não acho correto dizer para meu amigo escolher a igreja que ele goste, porque isso faz com que a questão seja escolha da pessoa, e não vejo na Palavra de Deus que isso seja uma questão de nossa escolha. Deus tem um modelo simples em Sua Palavra de como ELE queria que os Cristãos se reunissem para adoração e ministério, e a escolha realmente não é deixada a nós. É a maneira de Deus para a adoração e ministério Cristãos que nosso amigo deveria estar procurando; assim, eu não poderia, em sã consciência, dizer a ele para escolher uma comunhão Cristã que simplesmente o agradasse.
                   Nem diria ao meu amigo, “Oh, venha conosco porque nós fazemos isso da maneira correta.” Não faria isso porque quero que ele obtenha a verdade diretamente de Deus afim de que ele não estivesse apenas me seguindo. Se eu, ou outro qualquer, o coagisse – independentemente de quão sinceros nossos motivos possam ser – quando viesse um período de provas quanto a manter e andar na verdade de como os Cristãos deveriam se reunir para adoração e ministério, ele provavelmente desistiria, porque no fundo, era apenas eu quem o havia convencido disso. Eu não quereria que ninguém saísse por aí dizendo, “o Bruce diz isso...” e “o Bruce acredita que...” – como se isso fosse o padrão. Mesmo se o que dissesse fosse a verdade, não creio que seria uma palavra duradoura na sua alma se ele não a obtivesse de Deus.

                                       
Assim sendo, eu diria, como o apóstolo Paulo disse aos anciãos de Éfeso, “Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da Sua graça; a Ele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados” (At.20:32). Há duas coisas neste verso sobre as quais eu gostaria de chamar a atenção:

q  Encomendando a pessoa “a Deus”, o que implica em ir diretamente a Ele em oração e buscando Sua vontade no assunto.
q  Encomendando a pessoa “à palavra da Sua graça” o que obviamente, seria consultando as Sagradas Escrituras para luz e direção.
                 Oração e a Palavra de Deus, portanto, são os dois grandes recursos que temos para nos guiar e nos instruir no caminho da fé. É certo que o Senhor pode usar um instrumento humano para nos ajudar na verdade (At. 8:31), mas em última análise, precisamos obter isso d’Ele. Deus quer que tenhamos a “verdade” em nosso íntimo” – então vamos realmente tê-la, e não vamos abandoná-la mais tarde (Sl 51:6). O Senhor nos advertiu que se não aprendermos a verdade corretamente, ela pode ser tomada de nós. Ele disse, Vede, pois, como ouvis; porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado. (Lc 8:18). Isto mostra que aqueles que meramente conhecem a verdade de uma maneira intelectual, mas que não se apropriaram dela realmente, poderão ver a verdade sendo-lhes tirada. Portanto, encorajaria o meu amigo a obtê-la do Senhor – assim ele a teria de fato. Quando testes e provações vêm, ele vai guardar essas coisas e não se moverá delas, porque ele comprou a verdade e não a venderá. (Pv 23:23).

Disposição Para fazer a Vontade de Deus

                 Outra coisa que enfatizaria ao meu amigo que está na busca é que procurar pela verdade é um exercício gratificante. Deus não nos desapontará se estivermos genuinamente comprometidos a fazer a Sua vontade. O Senhor disse. “Se alguém quiser fazer a vontade d’Ele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus” (Jo 7:17). A condição colocada nessa promessa é que devemos estar dispostos a “fazer” a vontade d’Ele. Não é suficiente que quiséssemos saber a vontade de Deus; nós precisamos estar dispostos a fazer a Sua vontade. Em certo sentido, suponho que todos querem saber a vontade de Deus, mas fazê-la é outra coisa.
                   Isto significa que precisamos ter uma pré-disposição de coração para fazermos a vontade de Deus – seja ela qual for – mesmo que ela venha a colidir com nossos desejos e ideias pessoais. Este é um grande ponto a ser alcançado em nossas almas – estarmos dispostos a fazer Sua vontade, mesmo que isso machuque. O Senhor guiará uma pessoa assim à verdade. “Guiará os mansos em justiça e aos mansos ensinará o Seu caminho” (Sl 25:9).


                 Outra coisa que diria ao meu amigo é que temos que ter uma compreensão dos tempos. Em 1 Timóteo 4:1-2, Paulo disse, “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”. Ele queria que Timóteo soubesse que haveria um tempo quando aqueles na profissão Cristã desviariam seus ouvidos de ouvir a verdade (2 Tm 4:3-4). Nós não precisamos ser gênios para saber que vivemos nesses tempos; uma olhada ao redor para as coisas na Cristandade hoje deveria nos convencer.
                 Meu ponto em mencionar isso ao meu amigo é que ele precisa saber que tem havido muito abandono da verdade de Deus na profissão Cristã nos dias de hoje. Como resultado, muito pouco do que ocorre na Cristandade hoje se parece com o Cristianismo que lemos na Bíblia. Portanto, seria de pouca utilidade para ele olhar ao estado presente de desordem da Cristandade para encontrar a verdade.
                 Isto significa que nós precisamos entender onde estamos na história da Igreja. Eu suponho que seja algo como ir ao um grande shopping center. A primeira coisa que você se depara ao entrar num shopping é um balcão que contém um mapa de todas as lojas do shopping e os trajetos para mostrar a direção para encontrá-las. Na parte inferior do mapa haverá uma estrela com as palavras escritas, “VOCÊ ESTÁ AQUI”. Nestes grandes shoppings é preciso ter a orientação de onde você está antes de determinar aonde você quer ir. E é o mesmo quando se trata da confusão na casa de Deus hoje – nós precisamos saber onde estamos antes de podermos saber onde precisamos ir.
                 Para este fim, Paulo disse a Timóteo, Bem sabes isto, que os que estão na Ásia todos se apartaram de mim; entre os quais foram Figelo e Hermógenes” (2 Tm 1:15). Ele queria que Timóteo soubesse o caráter dos dias nos quais foi chamado para servir ao Senhor. Alguns Cristãos, mesmo naqueles tempos iniciais, não queriam o que Paulo ensinava – e mais especialmente quando se tratava da verdade da Igreja e suas disposições práticas para adoração e ministério. É igualmente importante sabermos os dias em que vivemos. Não estamos nos tempos do Pentecostes, ou mesmo em tempos de grande avivamento, como nos anos de 1.800 quando havia um grande interesse pela verdade. Estamos vivendo nos “últimos dias” (2 Tm 3:1-8) quando tudo está de cabeça para baixo na profissão Cristã, e há muito abandono da verdade por toda a parte – tanto em princípios como em prática. Se haviam Cristãos que não queriam o que Paulo ensinava naqueles dias, podemos estar certos que há muitos mais nesses últimos dias que não o querem. Ele e o apóstolo Pedro falaram que as multidões da profissão Cristã nos últimos dias desviariam seus ouvidos da verdade (2 Tm 4:2-4; 2 Pe 2:1-1).


                   Eu não hesitaria em dizer ao meu amigo inquisidor, que ele não precisaria se desesperar, por conta do grande abandono e confusão na Cristandade, porque Deus antecipou a ruína e graciosamente fez provisão para tais dias no que poderia ser chamado de “epístolas de ajuda”. Essas são as “segundas” epístolas nas nossas bíblias – 2 Coríntios, 2 Tessalonicenses, 2 Timóteo etc. Estas epístolas lidam com a ruína que entrou na profissão Cristã e ordenam o caminho do crente em relação a isso. Há duas coisas em particular que são proeminentes em cada uma dessas “segundas” epístolas:
       
q  Fracasso no testemunho Cristão de uma maneira ou de outra;
q  A necessidade de separar-se do erro que entrou na profissão Cristã
                   Isto quer dizer que temos que reconhecer o distanciamento na casa de Deus do que ela é, e nos separarmos disso. Ao fazermos isto, Deus vai nos dar luz para o próximo passo no caminho. Uma passagem de uma das “segundas” epístolas que eu dirigiria ao meu amigo seria 2 Timóteo 2:19-22. aquele que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade. Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros para desonra. Se, portanto, alguém se purificar destes, em se separando deles, será vaso para honra, santificado e útil para o Mestre, preparado para toda a boa obra. Foge das paixões da mocidade; e persegue justiça, fé, amor, e paz com aquele que invocam o Senhor com um coração puro” (JND). Observe a ordem aqui; primeiro vem o exercício de se separar de tudo na grande casa (a profissão Cristã) que é inconsistente com o Senhor, e então nos será dada luz no caminho para encontrarmos “aqueles” com os quais podemos andar e ter comunhão; aqueles que com um coração puro, invocam o Senhor”. Esta ordem é encontrada por toda a Escritura – primeiro separar-se daquilo que sabemos que é errado, e então, encontrar o caminho correto que está de acordo com a verdade (Is 1:16-17; Sl 34:14; Rm 12:9, 13:12; 1 Pe 3:11; 3 Jo 11).
                   Assim, encorajaria meu amigo a agir na luz que ele tem, e separar-se daquilo que vê nas igrejas que é inconsistente com a Palavra de Deus, e o Senhor dará a ele mais luz no caminho. Abraão passou por um exercício similar quando “saiu, sem saber para onde ia” (Hb 11:8). Quando respondeu ao chamado de Deus e deu aquele passo, Deus o guiou ao lugar onde queria que ele estivesse. No entanto, ele não teria sido guiado àquele lugar se não tivesse dado o primeiro passo.

Um Retorno aos Primeiros Princípios na Palavra

                 Outra passagem de uma das “segundas” epístolas que eu referiria ao meu amigo é 2 João 6-7. Ela nos dá outro importante princípio guia para estes dias. Diz: “E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento, como já desde o princípio ouvistes, que andeis nele. Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne”. O ponto aqui é que nestes dias de abandono, quando há “muitos enganadores” por toda parte, a coisa a ser feita é voltar àquilo que é “desde o princípio”. Precisamos voltar aos primeiros princípios na Palavra e tê-los como nosso guia. Seria sem esperança olhar para qualquer outro lugar.
                 E porque houve um grande abandono da Palavra de Deus no mundo Cristão, encorajaria meu amigo a deixar toda ideia pré-concebida que ele pudesse ter sobre o assunto e “começar do zero” na procura por uma assembleia reunida biblicamente. Não acredito que “pular de igreja em igreja” seja o caminho para uma pessoa ser conduzida neste exercício; provavelmente ela ficaria ainda mais confusa. A maneira de buscar a verdade neste assunto é indo à própria Palavra de Deus e aprendendo o que Deus diz a esse respeito. Assim, encorajaria meu amigo a procurar as Escrituras. Esta é uma procura que deve ser realizada sobre nossos joelhos e na dependência do Senhor.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Duas Partes do Assunto Congregar Juntos
para Adoração e Ministério

                 Acredito que procurar por uma assembleia reunida biblicamente é um exercício duplo. Primeiro, precisamos ver o modelo de assembleia local na Palavra de Deus e em segundo lugar, precisamos entender algo sobre a obra do Espírito em reunir Cristãos onde a verdade da assembleia é praticada. O modelo para uma assembleia Cristã é encontrado predominantemente em 1 Coríntios, no que diz respeito a sua ordem, mas muitas epístolas no Novo Testamento, como 1 Timóteo e Hebreus também são de ajuda. Há também muitas ilustrações instrutivas no livro de Atos.
                 Como um meio de ajudar essa pessoa que busca a verdade neste assunto, na Parte Um deste livro, vamos procurar ver nas Escrituras o modelo de Deus para Cristãos se reunirem para adoração e ministério. Na Parte Dois, vamos considerar a obra do Espírito em levar Cristãos exercitados ao lugar onde a verdade da assembleia é praticada.







PARTE I

UM PERFIL DE UMA

ASSEMBLEIA BÍBLICA


                 Como versículo introdutório sobre o modelo de uma assembleia bíblica, vamos abrir em Ezequiel 43:10: Tu, filho do homem, mostra a casa aos da casa de Israel, para que se envergonhem das suas iniquidades; e meçam o modelo” (ATB). Faço referência a este versículo pelo seu típico ou figurativo significado. Foi dado a Ezequiel “o modelo” para a casa de Deus nos capítulos precedentes (40-42) e agora ele deve dá-lo aos filhos de Israel. O propósito disso foi permitir que vissem o quão longe eles foram da mente e do ideal de Deus, para que eles ficassem “envergonhados [perplexos] das suas iniquidades” por desviarem-se da ordem de Deus quanto à adoração judaica. Igualmente, se virmos o simples modelo na Palavra de Deus de como os Cristãos deveriam verdadeiramente se reunir para adoração e ministério, ficaríamos surpresos de para quão longe a Cristandade em geral se afastou da ordem de Deus. Podemos bem perguntar: “De onde vieram estas coisas que tomamos por certas na Cristandade, quando não há uma sugestão sequer delas nas Escrituras”? Estamos nos referindo a nomes sectários, catedrais magnificentes, o clero como distinto dos leigos, o vestuário dos ministros e os membros do coral, os campanários e as cruzes nos edifícios, os serviços de adoração pré-arranjados, as orquestras, as orações previamente escritas, as mulheres pregando nos púlpitos, o dízimo, os seminários etc. Novamente perguntamos: “De onde vieram todas essas coisas”?
                 Não era suficiente que Ezequiel “mostrasse” ao povo o modelo da casa; o Senhor queria que o próprio povo a “medisse”. Este é um bom e saudável exercício para cada um que procura a verdade.
                 Uma coisa é termos alguém para nos dizer sobre o modelo escritural para adoração Cristã na Palavra de Deus, de forma que ele seja mostrado para nós. Mas também precisamos ter um conhecimento dele por nos envolver no estudo dessas coisas por nós mesmos. Dessa maneira, nós o medimos por nós mesmos e assim, obteremos uma melhor compreensão dele. Assim teremos algo para seguir em nossa procura por uma assembleia bíblica.


                 Uma pessoa pode sentir-se um pouco confusa sobre onde deve começar nessa procura na Bíblia, a Palavra de Deus. Isto é compreensível. Para ajudar nossos leitores “irem direto ao assunto” nesta monumental tarefa, as páginas seguintes da Parte Um apresentam dez características proeminentes que marcam uma assembleia bíblica. Depois, na Parte Dois, mais duas outras características são dadas, apresentando a verdade de reunir-se, sob a perspectiva de Deus.


~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Nenhum comentário:

Postar um comentário