quarta-feira, 14 de março de 2018

2) Uma assembleia bíblica se reunirá de acordo com princípios que são separados e distintos do judaísmo

Número Dois

Uma Assembleia Bíblica se Reunirá de Acordo Com Princípios Que São Separados e Distintos do Judaísmo


                   A segunda característica notável que marcará uma assembleia reunida biblicamente é que essa será livre de todos os princípios e práticas judaicas na adoração e ministério. A razão para isto é que a Igreja é um novo ponto de partida nos caminhos de Deus, e sendo assim, não é uma extensão do Judaísmo em nova forma. A Igreja é uma companhia celestial de crentes, que tem esperanças e destino celestiais – e ela também tem uma adoração de carácter celestial. Israel, por outro lado, tinha uma religião terrena ordenada por Deus (Judaísmo) porque eles são um povo terreno que têm esperanças e destino terrenos. Sendo assim, a forma de Israel aproximar-se de Deus em adoração no Judaísmo é inteiramente diferente da nova e viva maneira no Cristianismo (Hb 10:19-22). Misturar as duas ordens de adoração é não compreender os propósitos distintos de Deus para cada um (Hb 13:10), e isso resulta em confusão, arruinando a ambos (Lc. 5:36-39).
                 A primeira menção da Igreja é quando o Senhor anunciou aos Seus discípulos edificarei a Minha Igreja” (Mt 16:18). O fato d’Ele ter dito “edificarei” mostra que ela não existia naquele tempo. É algo inteira e completamente novo que não começou até o dia de Pentecoste, quando o Espírito de Deus desceu e uniu os crentes a Cristo no céu.
                   Uma grande chave para entender o que é a Igreja é ver que ela não faz parte da revelação do Antigo Testamento. Cristo e Sua Igreja é o grande “mistério” de Deus (Ef 5:32). Um mistério, no uso bíblico da palavra, não significa algo misterioso e difícil de entender, mas um “segredo” que Deus manteve escondido desde antes da fundação do mundo (Rm 16:25; Ef 3:4-6; Cl 1:26,27). O grande segredo revelado no Cristianismo é que quando o Messias de Israel (Cristo) reinasse sobre toda a obra das Suas mãos, como prometido no Antigo Testamento, Ele teria um complemento ao Seu lado – a Igreja, Seu corpo e noiva. O propósito de Deus é glorificar Cristo no mundo vindouro em duas esferas (na Terra e no céu) por meio desse vaso celestial de testemunho especialmente formado – a Igreja. Hoje Deus está reunindo este material que vai compor esse vaso especial pelo chamado do evangelho. Crentes de entre os Judeus e Gentios estão sendo salvos e feitos parte dessa nova companhia celestial. Esse segredo é algo que não foi revelado no Antigo Testamento, mas estava escondido no coração de Deus (Ef 3:9; Cl 1:26). Aqueles de outras eras não sabiam nada disso, porque não começou até o dia de Pentecoste.
                   Sendo assim, quando procuramos na Palavra de Deus por um modelo de assembleia bíblica, devemos olhar no Novo Testamento – e particularmente, nas epístolas. 1 Coríntios e 1 Timóteo são especialmente de ajuda. O livro de Atos também tem muitas ilustrações práticas da verdade da Igreja. Considerando então que a essa verdade não está no Antigo Testamento, não deveríamos procurar nele para aprender como a Igreja deveria se reunir para adoração e ministério. Este é um ponto extremamente importante; é algo que a maioria dos Cristãos interpretou mal.
                   Não estamos dizendo que Cristãos não deveriam ler o Antigo Testamento. Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Tm 3:16). “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança (Rm 15:4). Apesar de o Antigo Testamento não ter sido escrito a nós Cristãos diretamente, ele foi escrito “para” nós. Há muita instrução nele sobre caminhos morais de Deus para com o homem. Mas é de máxima importância vermos que, a parte às questões morais (porque elas nunca mudam diante de Deus), a maneira como Cristãos devem ler e aplicar o Antigo Testamento é pelo seu significado simbólico. As coisas que foram registradas no Antigo Testamento das Escrituras são tipos e figuras para nós como Cristãos (1 Co 10:11; Hb 8:5; 9:9, 23-24, 10:1, 11:19; 1 Co 9:9-10; Gl 4:24; Rm 4:23, 5:14).

Judaísmo Não é um Modelo para Adoração Cristã

                 Infelizmente, as igrejas na Cristandade têm ignorado o ensino simples das Escrituras que dizem que o tabernáculo é a figura do verdadeiro santuário ao qual os Cristãos agora têm acesso pelo Espírito (Hb 9:8-9, 23-24). Em vez disso, têm usado o tabernáculo e templo do Antigo Testamento como modelos para suas igrejas. Eles emprestaram muitas coisas no sentido literal daquela ordem Judaica para seus lugares de adoração e serviços religiosos. Fazendo isto, o sentido figurativo dessas coisas foi perdido de vista.

A seguir há uma lista de algumas coisas que a Igreja trouxe do Judaísmo:
                
q  O uso literal de templos e catedrais como lugares de adoração.
q  Uma casta especial de homens que oficia em favor da congregação.
q  O uso de instrumentos musicais para ajudar na adoração.
q  O uso de corais.
q  O uso de incenso para criar uma atmosfera espiritual.
q  O uso de vestes religiosas pelos “Ministros” e membros do coral.
q  O uso literal de altar (não de sacrifício).
q  A prática do dízimo.
q  A observância de dias santos e festas religiosas.
q  O registro dos nomes das congregações.

                   É verdade que muitas dessas coisas Judaicas foram de alguma forma alteradas para se adaptarem ao contexto Cristão, mas elas ainda têm a aparência do Judaísmo. Este tipo de influência Judaica de princípios e práticas permeou a Igreja. Muito disso tem estado há tanto tempo presente no Cristianismo que já se tornou aceito pelas massas como ideal de Deus. A maioria acha que é bom ter esta mistura Judia-Cristã. A Teologia do Pacto (um sistema errôneo de interpretação da Bíblia que promove esta fusão do Judaico com o Cristão) é predominante na Cristandade. Infelizmente, misturar essas duas diferentes ordens de aproximação a Deus, destruiu a distinção de cada uma, e o que dessa mistura resultou, não é nem Judeu nem Cristão.

Duas Ordens Contrastantes

                 Como mencionado antes, Judaísmo e Cristianismo são ordens contrastantes de aproximação a Deus, e Ele não pretende que elas se misturem. Judaísmo é uma maneira terrena de se aproximar de Deus em adoração, para um povo terreno, com esperanças e heranças terrenas (Hb 9:1). Cristianismo, por outro lado, é uma ordem celestial de adoração, para um povo celestial que tem esperanças, herança e destino celestiais (Hb 3:1; Co 1:5; Fl 3:20; 1 Pe 1:4). Não estamos dizendo que uma é ruim e outra é boa. Ambas são maneiras de aproximação a Deus para adoração, por Ele ordenadas. O ponto é que elas não devem ser misturadas.
                 As relações de Deus com Israel em caráter nacional estão suspensas neste momento (Rm 9-11). Durante este presente período da graça, Ele está visitando os Gentios “para tomar deles um povo para o Seu nome”, os quais irão compor Seu novo vaso de testemunho – a Igreja (At 15:14). Sendo uma nova e celestial companhia, a Igreja tem uma ordem inteiramente diferente de adoração a qual está de acordo com o chamado celestial. Ela não precisa de formas e rituais para adorar a Deus, que marcam o Judaísmo.


A Transição do Judaísmo para o Cristianismo

                 Vamos olhar algumas passagens que indicam a transição do Judaísmo para o Cristianismo. Antes de tudo veja Lucas 5:36-39, E disse-lhes também uma parábola: Ninguém deita um pedaço de uma roupa nova para a coser em roupa velha, pois romperá a nova e o remendo não condiz com a velha. E ninguém deita vinho novo em odres velhos; de outra sorte o vinho novo romperá os odres, e entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão; mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão. E ninguém tendo bebido o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho”. O Senhor indicou aqui que havia uma nova ordem chegando, e que não era para ser misturada com a velha, de outro modo, as duas seriam estragadas. O ponto principal a ser entendido nesta parábola é que a nova ordem não era uma extensão da velha ordem do Judaísmo, mas uma coisa inteiramente nova, que requereria uma configuração inteiramente nova. O versículo 39 mostra que levaria algum tempo para que aqueles acostumados com a antiga ordem, apreciassem a nova ordem. Sendo afetuosamente ligado a essa ordem exterior de adoração no Judaísmo, que atrai sentidos naturais, uma pessoa não a deixaria facilmente.
                 Em João 4:21-24 temos um pouco mais: “Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-Me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade. O Senhor menciona aqui três coisas significativas que marcariam a mudança da antiga ordem de adoração do Judaísmo para a nova ordem no Cristianismo:
                  
q  Haveria um novo lugar de adoração que não era “neste monte” (Gerizim), nem em “Jerusalém”. Hebreus 8:2, 9:11, 23, 24 e 10:19-22 indicam que é no santuário celestial na presença direta de Deus – embora não seja mencionado aqui. E assim, cessaria um centro geográfico terreno para adoração.
q  Houve uma nova revelação da Pessoa adorada. No Judaísmo Deus era adorado como Jeová, mas agora no Cristianismo Ele deve ser adorado como “o Pai” do Senhor Jesus Cristo. Esta é uma relação mais íntima.
q  Haveria um novo caráter de adoração. A adoração no Judaísmo era terrena e tangível, realizado por meio de um sistema de rituais e cerimônias, mas a nova ordem para aproximar-se de Deus, no Cristianismo, seria uma coisa puramente espiritual. Crentes poderiam agora adorar o Pai em “espírito” e de acordo com a nova revelação da “verdade”.
                         
                 No Cristianismo nós oferecemos “sacrifícios espirituais” que contam com ajuda da presença permanente do Espírito Santo (1 Pe 2:5; Fl 3:3) em contraste às “ordenanças carnais” da ordem Judaica (Hb 9:10). E fazemos isto na presença direta de Deus (Hb 10:19). Esta é uma bênção que Israel não teve. Como os Cristãos devem adorar “em espírito e em verdade”, podemos nos sentar quietos em uma cadeira e aí poderá ser produzido em nossas almas e espíritos, verdadeiro louvor a Deus, o Pai, pelo Espírito Santo. Isto é verdadeira adoração celestial. No céu não haverá necessidade de coisas mecânicas externas na adoração a Deus, como no Judaísmo. O Cristianismo não tem necessidade dessas coisas, porque podemos agora adorar a Deus pelo Espírito nesta maneira celestial (Fl 3:3).
                 A adoração Judaica apela para os sentidos, sendo um meio terreno e sensorial de aproximação a Deus. É estimulado por:

q  Vista – isto é, a grandeza do templo (1 Rs 10:4-5; Mc 13:1; Lc 21:5).
q  Cheiro - isto é, a queima de incenso que produz uma atmosfera convincente (Êx 30:34-38).
q  Sabor – isto é, comer sacrifícios (Dt 14:26).
q  Ouvido – isto é, lindas músicas produzidas pela orquestra e acompanhadas do coral (1 Cr 25:1, 3, 6-7)
q  Tato – isto é, participação nas ofertas de uma forma física, isto é, dançando e levantando as mãos (2 Sm 6:13-14; 1 Rs 8:22).
                                     
                 É significativo não encontrarmos em nenhum lugar no livro de Atos ou nas epístolas, Cristãos adorando ao Senhor usando rituais e meios mecânicos exteriores, como instrumentos musicais. Os únicos dois instrumentos que os Cristãos são encontrados usando para adoração na Escritura são seus “corações” (Co 3:16; Ef 5:19) e seus “lábios” (Hb 13:15).
                 O esboço do evangelho de Mateus indica esta mesma transição dispensacional do Judaísmo ao Cristianismo. Isto é visto nos atos simbólicos e no ensino do Senhor por parábolas. Este evangelho foi escrito especialmente aos Judeus tendo essas coisas em vista, porque eles naturalmente teriam dificuldades com esta mudança nos caminhos de Deus. O evangelho registra a culpa dos Judeus rejeitando seu Messias. O Espírito de Deus, que conhecia os caminhos de Deus desde a eternidade, previu a rejeição de Cristo pelo povo e escreveu o evangelho com uma ordem dispensacional em mente. As muitas figuras a nós apresentadas no evangelho mostram que quando o povo rejeitasse o Senhor, Deus deixaria a nação de lado por um tempo, e alcançaria os Gentios e os traria à bênção na Igreja. Isto não aconteceu durante a vida do Senhor, mas o teor do evangelho indica que haveria um desvio nos caminhos de Deus para o Cristianismo.
                   No capítulo 4 o Senhor saiu para anunciar à nação que Ele estabeleceria “o reino dos céus” em poder, e traria as grandes bênçãos prometidas pelos profetas. Nos capítulos 5-7, Ele ensinou os padrões morais do reino em Seu “Sermão da Montanha”. Os capítulos 8-9 apresentam doze incidentes onde o Senhor demonstra “os poderes do mundo vindouro” (Hb 6:5), confirmando Seu poder para trazer o reino como prometido pelos profetas. No capítulo 10 o Senhor enviou os apóstolos para pregar o evangelho do reino e chamar a nação para receber seu Rei. Nos próximos dois capítulos (11-12), o Espírito de Deus dá o resultado da mensagem: ambos, João Batista e o Senhor são rejeitados pelo povo comum na Galileia (cap. 11) e pelos líderes da nação Judéia (cap. 12). Os últimos (os líderes) cometeram o pecado imperdoável de blasfêmia contra o Espírito Santo, selando a condenação da nação.
                 Sendo assim, o Senhor fez diversas ações simbólicas no 12o e 13o capítulos para indicar que Suas ligações com a nação seriam rompidas e ela seria temporariamente colocada de lado no trato governamental de Deus. Este colocar de lado historicamente aconteceu em Atos 7 quando os líderes da nação (o Sinédrio) apedrejaram Estevão como resposta formal a respeito de terem a Cristo reinando sobre eles (Lc 19:14). Isto é indicado no evangelho de Mateus pelas seguintes coisas:
                 Primeiro, houve dois incidentes onde o Senhor e Seus discípulos aparentemente profanaram o Sábado comendo milho e curando uma pessoa (Mt 12:1-13). Desde que a nação O rejeitou, o pacto que o Senhor tinha com ela foi quebrado. Consequentemente, o Sábado, que era o selo da relação (Êx 31:12-17), já não tinha suas reivindicações. As ações do Senhor no Sábado demonstraram esse fato.
                 Assim, daquele momento em diante o Senhor não mais ergueria Sua voz nas ruas para pregar as boas novas do reino (Mt 12:14-21). Isto porque o reino em seu poder e glória não seria mais oferecido à nação. Daí em diante, não é mais dito de o reino estar “próximo”, como era o caso dos capítulos anteriores. De acordo com isso, o Senhor ordenou aos discípulos que não O dessem a conhecer daí em diante (Mt 12:16 – ATB, 16:20, 17:9).
                   Além disso, o Senhor Se recusou a dar ao povo mais sinais da Sua Messianidade (Mt 12:38-45). Ele disse que a incredulidade deles era tão profunda que, consequentemente, se manifestaria por si própria no ato de a nação receber o anticristo, e este último estado seria pior que o primeiro (uma idolatria pior do que a que antecedeu seu cativeiro babilônico)
                 O Senhor então passou a recusar o chamado de Sua mãe e de Seus irmãos. Isto também foi uma ação simbólica que indicou o rompimento de Seus laços naturais com a nação (Mt 12:46-50).
                 Finalmente o Senhor “saiu da casa” onde Ele esteve ensinando o povo (Mt 13:1). Isto de novo simbolizava o rompimento com a nação.
                 Então nos capítulos 12-16, o Senhor Se retirou da multidão do povo (cap. 12:15, 13:1, 13:53, 14:13, 15:21, 15:29, 16:4). Isto novamente é indicativo do fato de que Ele Se dissociaria da nação.
                 Com o Senhor sendo rejeitado “o reino dos céus” como apresentado pelos profetas do Antigo Testamento, seria postergado. Mas Deus nunca volta atrás em Suas promessas; portanto, o cumprimento literal da bênção do reino a Israel seria suspenso até mais tarde.
                 Quando a nação rejeitou o Senhor como seu Messias, Deus começou a trabalhar numa nova direção – para os Gentios. Este movimento nos caminhos de Deus é novamente retratado pelas ações simbólicas do Senhor. Após sair da casa, Ele sentou-se “junto ao mar” (Mt 13:1). O mar na Escritura fala dos Gentios (Sl 65:7; Is 17:12; Ap 17:15; At 10:6). Isto indica que Deus visitaria os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o Seu nome” (At. 15:14 – ARA). Ele faria isso por meio do chamado do evangelho da graça de Deus. Este novo início está registrado no livro de Atos do capítulo 8 ao 28, e ainda está acontecendo hoje.
                 O novo início nos caminhos de Deus é prefigurado no ministério do Senhor no evangelho de Mateus em quatro formas:
                          
q  Primeiramente o Senhor indicou que haveria uma nova maneira de trabalho divino – semeando a semente da Palavra de Deus no coração dos homens, e produzindo assim para Deus uma nova colheita que daria frutos (Mt 13:1-9, 18-23). Ele não procuraria mais frutos na lavoura de Deus conforme a velha ordem.
q  Em segundo, o Senhor adotou um novo método de ensinar“por parábolas” (Mt 13:13, 34,35). Nos primeiros doze capítulos Ele não usou parábolas para ensinar o povo. Ele falou claramente com eles. Mas agora, por causa da dureza dos corações dos Judeus incrédulos, a verdade seria escondida deles por causa dos relacionamentos atuais de Deus. Aos apóstolos e àqueles com corações crédulos foram dadas as interpretações.
q  Terceiro, o Senhor disse a Seus discípulos que haveria um novo significado para o reino dos céus. Haveria agora um lado místico para o reino (Mt 13:11). Os “mistérios” relativos ao reino seriam explicados a eles nos capítulos seguintes.
q  Quarto, haveria novas revelações em conexão com a nova fase de mistério do reino, na qual certas coisas, que foram mantidas “ocultas” desde a fundação do mundo, seriam reveladas (Mt 13:35).
                              
                 É significativo que, afastando-Se do povo publicamente, o Senhor esperou até que alcançasse a periferia mais distante da terra – “as partes de Cesareia de Felipe” – para apresentar a verdade da Igreja (Mt 16:13-20). Isto, novamente, aponta para o fato de que Ele queria que a Igreja fosse algo distinto de Israel. É claro então, pelo inteiro teor desses capítulos no evangelho de Mateus que Deus pretende que a Igreja seja inteiramente separada e distinta do Judaísmo.

O Novo e Vivo Caminho – Dentro do Véu e Fora do Arraial

                 Hebreus 10:19-20 indica esse mesmo ponto. Diz: Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou.... Isto mostra que o lugar Cristão de adoração está dentro do véu do verdadeiro “Santo dos Santos (ARA) – a presença imediata de Deus no santuário celestial (Hb 8:2, 9:8, 10:19). Podemos agora vir à presença do Senhor com “intrepidez [ousadia] com nossa adoração e ações de graças porque a obra consumada de Cristo tirou o pecado (judicialmente) de diante de Deus (Hb 9:26-28) e tirou a culpa dos pecados de nossas consciências (Hb 10:18). Assim, isso nos adequou para a presença de Deus, dando-nos uma consciência purificada que resultou em paz perfeita; e a paz perfeita dá santa ousadia para "entrar" no lugar santíssimo.
                 Há duas coisas a serem observadas neste versículo. Primeiramente a maneira Cristã de se aproximar de Deus, agora que a redenção foi realizada, é um “novo” caminho. Não é uma forma mudada ou alterada, mas uma maneira inteiramente nova. Se a maneira de Israel se aproximar de Deus em adoração fosse para ser um modelo para a adoração Cristã, então a nossa adoração não poderia ser chamada de nova. Segundo, é um caminho “vivo”. Isto significa que a pessoa deve ter uma vida nova para ser capaz de participar nesta nova adoração. Este não era o caso no Judaísmo. Uma pessoa poderia participar e apreciar a adoração no Judaísmo – a música, o sabor dos sacrifícios e os ornamentos do templo, etc. – e nem mesmo ter uma nova vida! No Cristianismo a pessoa precisa nascer de novo e ser selado pelo Espírito Santo para ser um verdadeiro adorador.
                 Um pouco mais adiante em Hebreus 13:9-10 diz: Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça, e não com manjares, que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram. Temos um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo. Não poderia estar mais claro que isto; Deus não quer uma mistura das duas ordens de adoração. Qualquer coisa que encorajasse a mistura é uma doutrina “estranha”. O Senhor quer que estejamos estabelecidos no que a “graça” nos trouxe no Cristianismo, e não com “carnes” – uma referência à ordem exterior de rituais e cerimônias no Judaísmo. Ele diz, “Temos um altar”. Ele não está falando aqui de algo literal, mas do que um altar representa figurativamente – isto é, um sistema de aproximação a Deus. Mas observe: o escritor diz que “os que servem ao tabernáculo” (a ordem Judaica) não deveriam ser envolvidos no uso deste altar Cristão porque Deus não quer que as duas ordens sejam misturadas.
                 Passemos agora ao versículo 13-16 neste mesmo capítulo (Hb 13); Saiamos, pois, a Ele fora do arraial, levando o Seu vitupério. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura. Portanto, ofereçamos sempre por Ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome. E não vos esqueçais da beneficência e comunicação [dos vossos bens (JND)], porque com tais sacrifícios Deus Se agrada”. Isto é realmente a essência de toda a epístola. A dificuldade por todo o lado tem sido mostrar aos Judeus convertidos que a aproximação Cristã a Deus é realmente um contraste com a maneira Judaica, e que Deus deu a eles algo melhor no Cristianismo. Após vários pontos serem produzidos com esta finalidade, a conclusão de toda a questão é que o crente deve deixar completamente a ordem Judaica porque ela foi deixada de lado no presente, e o Senhor está fora dela. Assim, o lugar Cristão de adoração é dentro do véu em espírito (Hb 10:19), mas fora do arraial como posição eclesiástica (Hb 13:13).
                   O chamado é, portanto, para “sair do arraial”. Este é um termo que representa o Judaísmo e todos os seus princípios e práticas relacionados. Um Judeu não teria dificuldade para entender o que este termo quer dizer, já que era usado no Antigo Testamento em conexão com Israel. O grande ponto da epístola é que a maneira Judaica de aproximação a Deus é para ser deixada para trás pela verdadeira adoração Cristã. Na verdade, é para ser deixada não importa onde foi encontrada – se no Judaísmo formal ou em qualquer forma Cristã quase-judaica na Cristandade. Essa é uma exortação muito aplicável para nós nos dias de hoje; fomos chamados para sair “do arraial” onde quer que o vejamos, quer seja numa sinagoga Judia ou nas igrejas denominacionais da Cristandade feitas pelo homem, porque o Cristianismo Bíblico não é uma nova versão do Judaísmo.
                   Os versículos 14-15 indicam que no Cristianismo não temos uma sede geográfica terrena – “Porque não temos aqui cidade permanente”. Nós esperamos a vinda de uma cidade celestial, porque somos um povo celestial com um destino celestial. Enquanto a esperamos vir, podemos oferecer nossos sacrifícios espirituais de louvor a Deus.
                   Novamente, não estamos dizendo que a ordem Judaica de adoração é má. Como seria possível que fosse má? Ela foi estabelecida e ordenada por Deus. Quando Israel for restaurado e abençoado na sua terra num dia futuro (no Milênio), eles adorarão a Deus naquela ordem Judaica (Ez 43-46). E estará correto e apropriado para eles fazerem isso. Nosso ponto aqui é que estas duas diferentes ordens de aproximação a Deus não devem ser misturadas em nenhuma adoração Judaico-Cristã, a qual não seria nem Judia nem Cristã.

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Resumo: Uma assembleia Bíblica será livre dos ornamentos do Judaísmo. Ela não terá uma catedral para se reunir, ou uma orquestra com um coral, etc. para ajudar a adoração. Ela se reunirá na simplicidade sem marcas de uma religião terrena organizada. Hinos serão cantados vocalmente, e aqueles que oram ou ministram a Palavra não serão de uma casta especialmente ordenada.

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