quinta-feira, 15 de março de 2018

5) Uma assembleia bíblica reconhecerá os dons espirituais em seu meio e permitirá que sejam exercitados, como forem guiados pelo Espírito Santo

Número Cinco

Uma Assembleia Bíblica Reconhecerá os Dons Espirituais em Seu Meio e Permitirá Que Sejam Exercitados, Como Forem Guiados Pelo Espírito Santo


                 A segunda esfera pública na assembleia é a do dom. Esta é a esfera onde o ministério é dado na forma de ensino e exortação. Sacerdócio tem a ver com coisas espirituais sendo ministradas do homem para Deus; enquanto que o exercício do dom tem a ver com coisas espirituais sendo ministradas de Deus para o homem, no caminho da verdade de Sua Palavra. Uma assembleia bíblica reconhecerá os dons espirituais em seu meio e permitirá que sejam exercitados, como forem guiados pelo Espírito.
                 A Bíblia ensina que todos os crentes tiveram um dom espiritual a eles comunicado quando foram salvos e selados com o Espírito Santo. 1 Pedro 4:10-11 diz, cada um de vós, segundo o dom que recebeu, comunicando-o [ministrando-o] uns aos outros, como bons despenseiros das várias graças de Deus. Se alguém fala, fale como oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre como da força que Deus dá, para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém” (ATB). E em Efésios 4:7 diz, “Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo”. 1 Coríntios 12:7 diz, “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil”. A distribuição dos dons é ilustrada na parábola do Senhor em Mateus 25:15. “e a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade”. As palavras “a cada homem” (KJV), é genérico e assim incluiria ambos, irmãos e irmãs.
                 É importante entender que estes dons não são dons naturais que possamos ter – como dom musical ou talento artístico, ou força natural, etc. – mas capacidades espirituais dadas a nós para nos habilitar a ocupar nosso lugar no corpo. Mencionamos isto porque muitos Cristãos estão confusos a esse respeito. Eles pensam que a habilidade natural de uma pessoa é seu dom espiritual no corpo de Cristo. É daí que vem a ideia de que o Cristão deveria praticar esportes profissionais ou seguir carreira musical profissional como um artista, porque tem habilidades naturais. Os Cristãos hoje em dia são encorajados a buscarem desafios mundanos em função de suas habilidades naturais, mas isto apenas os envolve no mundo e anula seu testemunho Cristão. J. N. Darby disse, “É inteiramente falso o princípio que dons naturais são uma razão para usá-los. Posso ter uma surpreendente força ou velocidade para correr; o que alcanço com esta é ganhar um prêmio e com outra derrubar um homem com um golpe. Música pode ser a coisa mais refinada, mas o princípio é o mesmo. Este ponto eu creio ser da mais alta importância. Os Cristãos perderam sua influência moral admitindo a natureza e o mundo como inofensivos. Todas as coisas me são lícitas, mas como eu disse, você não pode misturar a carne e o Espírito”.

Ministério é o Exercício do Nosso Dom

                 Na Escritura, dons são “manifestações espirituais” no corpo de Cristo e são dados para edificação espiritual dos membros do corpo (1 Co 12:1, 14:1). Ministério é simplesmente o exercício do dom de uma pessoa (1 Pe 4:10-11). Algumas pessoas dizem terem sido “chamadas ao ministério”. Sabemos o que querem dizer; eles se sentem levados a buscar a ocupação de um clérigo, e se matriculam em um seminário para serem treinados para aquela posição numa igreja denominacional. Mas no sentido bíblico da palavra, todos fomos “chamados ao ministério”. Já que todos nós temos um dom, todos deveríamos ministrar de uma maneira ou de outra.
                 É triste dizer, muitos Cristãos hoje em dia foram levados a crer que o pregador é o único no seu grupo da Igreja que tem um dom espiritual. Portanto, eles nem sequer consideraram qual possa ser o seu dom. Porém, no Cristianismo normal, cada membro do corpo de Cristo tem algo a fazer. Não há zangãos na colmeia de Deus. O Senhor disse, “a cada um o seu trabalho” (Mc 13:34 – ATB). Ele gostaria que todos nós nos exercitássemos sobre o que deveríamos estar fazendo por Ele. De nossa parte é necessário:
       
1)        Descobrir nosso dom. Isto se tornará evidente por meio da devoção ao Senhor. J. N. Darby disse, “Se houvesse mais devoção, haveria mais dons entre nós”. Ele não quis dizer que dons espirituais são dados como resultado da devoção de uma pessoa ao Senhor, mas que se houvesse mais devoção em nossas vidas, nosso dom espiritual se tornaria evidente.

2)        Diligência para aprender a verdade. Isto também é importante porque temos que ter alguma substância espiritual para comunicar aos outros quando estivermos exercitando nosso dom. Uma pessoa pode ter o dom de doutor, mas se ele não foi instruído na verdade, não será de muita ajuda.

3)        Desenvolvimento do nosso dom. Temos que ter fé para ir em frente e exercitar nosso dom nas oportunidades dadas a nós, de forma que ele se desenvolva e nossa efetividade no serviço cresça.

4)        Dependência do Senhor no exercício do nosso dom. O exercício do nosso dom precisa ser realizado sob o Senhorio de Cristo e sob Sua orientação e direção – para aonde ir, o que fazer e o que dizer.

                 Paulo disse a Timóteo, “Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos” (2 Tm 1:6). Isto mostra que precisamos ser despertados em relação ao uso do nosso dom. Arquipo foi advertido por não estar cumprindo seu ministério (Cl 4:17). Se formos jovens não deveríamos estar demasiadamente ocupados em descobrir qual é nosso dom, mas simplesmente procurar fazer o que vem às nossas mãos. No tempo certo, ficará evidente qual é nosso dom. Podemos ir ao Senhor com a simples oração de Saulo de Tarso, “Senhor, que queres que faça?” (At 9:6, 22:10). Há muito a ser feito em Sua vinha e Ele tem algo para cada um de nós fazer. A Escritura diz, “dediquemo-nos ao nosso ministério” (Rm.12:7 – ATB)[1]. Os Levitas – os servos no tabernáculo – tinham de ir a Aarão, o sumo sacerdote e ele indicaria a cada homem “seu serviço” e “sua carga” (Nm 4:19 - ATB). Igualmente, se formos ao Senhor, nosso Sumo Sacerdote, Ele nos dará nossa “obra” e nossa “carga” (Gl 6:4,5).
                 É também importante entender que nem todos os dons são para ministério da Palavra. Alguns dons não são nem mesmo para serem exercitados em público. Romanos 12:4-8 indica isto: “Pois assim como temos muitos membros em um só corpo, e todos os membros não têm a mesma função; assim nós, sendo muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. Tendo dons diferentes segundo a graça que nos foi dada: se é profecia, profetizemos segundo a proporção da nossa fé; se é ministério, dediquemo-nos ao nosso ministério; ou o que ensina, dedique-se ao seu ensino; ou o que exorta, à sua exortação; o que reparte, faça-o com simplicidade; o que preside, com zelo; o que usa de misericórdia, com alegria” (ATB). Há sete dons listados aqui, mas os últimos três são de natureza privada, e não têm nada a ver com ministrar a Palavra publicamente, e, além disso, não devem ser exercitados nas reuniões da assembleia.


O Livre Exercício dos Dons na Assembleia

                 Também é importante ver que todos os dons não residem em uma pessoa. A Escritura diz, “Pois a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; a outro a palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito; a outro fé, no mesmo Espírito; a outro... (1 Co 12:8-10 - ATB). Um homem pode ter mais de um dom, mas fica claro, a partir desta passagem, que não possuirá todos os dons. Além disso, a assembleia precisará da participação de todos os que tenham o dom para ministrar a Palavra se for para se obter o benefício dos dons em seu meio. Infelizmente o sistema clerical está espalhado por toda a Cristandade. Referimo-nos ao estabelecimento de um homem para conduzir o ministério da Palavra na assembleia – isto é, um sacerdote, um pastor ou um ministro. Isso impede o livre exercício dos dons, liderados pelo Espírito. Toda a ideia de "ministério de um só homem" não é encontrada na Bíblia. Como salientamos, todos os irmãos que têm o dom de ministrar a Palavra deveriam ter liberdade na assembleia para exercitar seu dom conforme o Espírito o conduzisse.
                 Nem há nenhuma menção nas Escrituras de uma pessoa precisando ir a um seminário para ser treinada antes que possa usar seu dom na assembleia. A própria passagem que citamos em 1 Pedro 4:10-11 indica isso. Diz, “cada um de vós, segundo o dom que recebeu, comunicando-o uns aos outros” (ATB). Não diz, “se alguém tem um dom, que vá a um seminário, e então ministre...”. Simplesmente diz se ele tem um dom, “assim ministre” esse dom. Isto mostra que a possessão de um dom espiritual para ministério da Palavra é a autorização para a pessoa usá-lo.
                 Novamente, diz: “Se alguém fala, fale como oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre como da força que Deus dá” (1 Pe 4:11). Repare novamente que não há menção de ele ir à uma escola e então ser-lhe permitido falar na assembleia. A simples ordem na Escritura é, “Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (1 Co 14:26). Se tem “doutrina [ensino], etc. faça-se tudo para a edificação da assembleia. Esta é a ordem de Deus para ministério na Igreja. É assim que a Igreja foi ensinada e edificada nos seus primeiros dias, e esse é nosso modelo para ministério hoje em dia.
                 A ordem de Deus para ministério, logicamente, deve ser feita sob o controle e direção do Espírito Santo. Se não estivermos sujeitos ao Espírito, poderemos facilmente tornar as reuniões em algo livre-para-todos. Isto estava acontecendo em Corinto e precisou ser corrigido (Co 14:26). O apóstolo indica que se a pessoa persistentemente age na carne na esfera do ministério, a assembleia tem o recurso de exercitar julgamento sobre essa pessoa. (1 Co 14:29). Será dito mais a esse respeito mais adiante. O ponto a ser entendido aqui é que a resposta para uma ação carnal no ministério público não é estabelecer um sistema que evite que as pessoas falem a não ser que elas tenham sido aprovadas pelo sistema – isto é o sistema clérigo-leigo. Na assembleia onde há a dependência do Espírito Santo e liberdade para Sua ação, Ele vai convocar e energizar os dons espirituais que lá estão, e eles agirão no ensino e exortação para a edificação de todos. A assembleia não precisa de eloquência; ela precisa de edificação. “Cinco palavras” guiadas pelo Espírito Santo podem ser usadas na assembleia para proveito duradouro, mais do que uma grande demonstração de eloquência (1 Co 14:19).
                 Como não temos mais apóstolos na Igreja, os principais dons para ministrar a Palavra hoje em dia são: evangelistas, pastores, doutores e profetas (Ef 4:11; At 13:1). Nós vemos esses quatro dons em ação em Atos 11:19-30.

Um Evangelista

                 “E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra senão somente aos judeus. E havia entre eles alguns varões chíprios e cirenenses, os quais, entrando em Antioquia, falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor” (At 11:19-21). Evangelistas são os mensageiros das boas novas – o evangelho. É improvável que todas essas pessoas espalhadas por esta perseguição fossem evangelistas, mas todas ajudaram a espalhar o evangelho. Isto mostra que todos podemos “fazer a obra de um evangelista”, mesmo que não tenhamos o dom de evangelista (2 Tm 4:5).
                 Aqueles que têm o dom específico de pregar e compartilhar o evangelho sairão com a Palavra conforme dirigidos pelo Senhor (Mc 16:15; At 8:5). A esfera do serviço do evangelista é predominantemente no mundo. Ele deve ser como um compasso, tendo um pé firmemente estabelecido na assembleia e outro alcançando as almas perdidas no mundo. Todo o seu trabalho deve ser feito tendo a assembleia em vista. Paulo indica isto dizendo, “a saber, que os gentios são co-herdeiros e membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa em Cristo Jesus por meio do Evangelho” (Ef 3:6 – ATB). Vemos disso que a verdade do evangelho e a verdade da assembleia estão inseparavelmente ligadas. O material do qual a Igreja, o corpo de Cristo, é composto, é obtido “por meio do evangelho”. Deus pretende que quando uma pessoa é salva, ela seja encontrada a partir daí funcionando no corpo como Deus a posicionou.
                 As “pedras grandes” que foram trazidas com o propósito de construir o templo (1 Reis 5) não eram apenas cortadas do lugar onde eram encontradas; elas eram trazidas ao local do templo e eram assentadas na casa (1 Reis 6). Tirar as pedras da escavação não era um fim em si mesmo. Igualmente a pedras vivas que compõem a casa de Deus hoje foram salvas com o propósito de funcionarem na assembleia para Sua glória. O evangelista deve trabalhar com isso em vista. Querer que almas se salvem sem as ver funcionando em seu lugar no corpo é estar aquém do propósito de Deus para elas.
                 Este trabalho de um evangelista é claro, deve ser feito em comunhão com o Senhor Jesus – “o Senhor da seara” (Mt 9:38). Isso deve ser feito por amor a Cristo e por amor pelas almas. O antigo ditado – “O que vem do coração vai para o coração” – é certamente necessário nesse trabalho. Quando almas são salvas, um evangelista conduzido pelo Espírito não dirá aos seus convertidos para irem à igreja de sua escolha, como é frequentemente feito. Em vez disso, ele lhes mostrará que, tendo crido no Senhor Jesus, e consequentemente tendo sido selados com o Espírito Santo, eles já estão na Igreja. E o que eles precisam é continuar perseverando na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações (At. 2:42). Isto foi o que a Igreja primitiva fez. As quatro coisas mencionadas neste versículo são o que poderia ser chamado de “as quatro âncoras da vida da assembleia”. Se uma ou mais delas faltarem em nossas vidas Cristãs, iremos de encontro às rochas e naufragaremos (At 27:29; 1 Tm 1:19)

Um Pastor

                 Sendo guiado para uma assembleia no terreno bíblico, o novo convertido precisará de ajuda espiritual em questões morais e práticas de sua vida. Para ajudá-lo nisto, Deus deu outro dom à Igreja – o pastor. Isto é ilustrado na próxima série de versículos em Atos 11. “E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia. O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com propósito de coração; Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé” (At.11:22-24). Enquanto Barnabé é também chamado de apóstolo (At 14:14) é evidente que ele tinha o dom de pastorear o povo de Deus. Seu trabalho em Antioquia ilustra isto.
                 O encargo do pastor é ajudar os membros do corpo de Cristo no seu andar com o Senhor. Ele, de coração, cuida particularmente dos recém-nascidos em Cristo, e procurará que nenhum se perca. E se alguns se perderem, ele irá atrás deles para recuperá-los. Este é um dom muito necessário hoje em dia quando há tanto fracasso na Igreja.
                 O pastor terá um coração compreensivo e administrará conforto ao rebanho em tempos de tristeza e aflição. Ele sentirá as provas e problemas pelos quais o povo de Deus está passando e carregará suas tristezas em seu coração e oferecerá conselho e encorajamento. Ele talvez tenha de corrigir se alguém que fez algo errado, mas ele o fará fiel e amorosamente (Pv. 27:6).
                 O trabalho de um pastor é predominantemente de caráter particular, mas ele pode e irá ensinar e aplicar a verdade às almas em reuniões públicas. Isto é visto em Barnabé ajudando Saulo no ensino dos santos na assembleia de Antioquia (At 11:26). Este dom exige a maior sabedoria para ser exercido em relação a todos os outros dons. Se um pastor não é cuidadoso, e perde sua comunhão com o Senhor, ele pode atrair os santos após si ao invés de levá-los a Cristo (At 20:30). Esse é um perigo sempre presente entre os pastores. É essencial então, que ele seja encontrado em comunhão com o Senhor o tempo todo. (Jo 15:4)

Um Doutor

                 Nos dois próximos versículos em Atos 11 vemos o dom de doutor em exercício. “E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia. E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados Cristãos” (At 11:25,26). O trabalho do doutor é ajudar os santos a entender a verdade de Deus que, quando entendida apropriadamente, ocupa a alma com Cristo.
                 O doutor é alguém que aprecia a verdade e ama ajudar os outros a apreciá-la também. Uma vez que Cristo é o centro e o tema de toda a Escritura, o maior desejo do doutor é ajudar os santos a melhor conhecer a Deus e, os Seus caminhos. Um doutor guiado pelo Espírito exaltará a Cristo e revelará as glórias e obras da Sua Pessoa. Ele trabalhará para “manejar bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15), apontando as várias distinções e nuances de significado, que ajudará os crentes a terem uma melhor compreensão da revelação de Deus. Uma marca que distingue um doutor é que ele será capaz de dizer a mesma coisa em meia dúzia de diferentes formas até que o ouvinte capte o determinado conceito que ele está tentando apresentar. Ele tem a habilidade natural de explicar claramente seus pensamentos e, um dom espiritual vindo do Senhor que complementa suas habilidades. Estas duas coisas podem ser vistas na parábola dos talentos. O homem deu “talentos” (figurativo de um dom espiritual) a cada homem “segundo a sua capacidade” (Mt 25:15). Veja também 1 Pedro 4:10-11. Se ele usa o seu dom e sua habilidade corretamente e na dependência do Senhor, muita verdade será ensinada aos santos.
                 Um doutor pode também ser chamado para identificar ensinamentos errôneos, se eles surgirem na assembleia. Ele irá, se necessário, expor as falsas e más doutrinas a fim de salvaguardar o rebanho. Este é um aspecto triste do seu trabalho, mas é necessário quando a verdade está sob ataque (Gl 2:4-5).
                 Antes que um doutor possa ser realmente eficaz, primeiro a verdade tem que ser ensinada a ele próprio. Isso tomará tempo e diligência em estudos privados “que tens seguido” nas várias linhas da verdade na Escritura (1 Tm 4:6). Ensinar requer não somente aprender a verdade, mas também saber como apresentá-la clara e ordenadamente, de maneira que os santos possam recebê-la e ter proveito dela. Vemos isso na exortação de Paulo a Timóteo: “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido” (2 Tm 1:13). Isto não foi uma exortação a Timóteo para aprender a verdade da doutrina de Paulo, porque Timóteo já havia feito isto (2 Tm 3:10), mas para ter a verdade de Deus de uma maneira ordenada com o propósito de guardá-la (2 Tm 1:14) e disseminá-la (2 Tm 2:2). Isto nos mostra que o doutor não deve apenas conhecer a verdade, ele precisa tê-la de uma forma esquematizada para assim poder “delinear sistematicamente” seus vários princípios para outros (nota de rodapé de 2 Timóteo 1:13 da tradução J. N. Darby). Por este motivo apenas, este dom requer mais tempo de preparação que outros dons, para que alcance a máxima eficiência.
                 Doutores, pastores e profetas vão trabalhar juntos proveitosamente na assembleia, quando dirigidos pelo Espírito. Isto é visto no fato já mencionado – ambos, Barnabé e Saulo ensinaram a assembleia de Antioquia. O doutor apresentará a verdade e os profetas e pastores darão a aplicação prática daquelas verdades nas várias situações da vida. A harmonia dos dons, trabalhando em direção de um objetivo comum, é visto em Efésios 4:11-14: “Ele deu uns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas, outros como pastores e mestres [doutores], tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos para o trabalho do ministério, para a edificação do corpo de Cristo até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito [maduro], à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos meninos, jogados de um para outro lado e levados ao redor por todos os ventos de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação [sistematização] do erro” (ATB). Observe o quão próximos pastores e doutores estão ligados nesta passagem, indicado pela ausência no texto das palavras “e outros” entre os dois dons. Isto pode ser porque um homem pode ter o dom de pastor e de doutor, mas usualmente eles são vistos como dons separados (1 Co 12:28).
                 O objetivo dos dons é ajudar os membros do corpo a crescerem ao ponto onde eles podem participar na “obra do ministério”. Se os dons forem efetivos, os santos serão edificados na santíssima fé (Jd 20), e eles, por sua vez, poderão contribuir no ministério. O ministério de todos os pastores e doutores deve ter isso em “vista”. Em certo sentido, eles “trabalham sem um emprego”, e assim, podem mudar para outros lugares onde há necessidade de ensino e pastoreio.

Um Profeta

                 Na última parte de Atos 11, vemos profetas em ação. “E naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender, pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César. E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia. O que eles com efeito fizeram enviando-o aos anciãos por mão de Barnabé e de Saulo” (vs. 27-30). Há dois aspectos do uso deste dom: predizer e comunicar. Vemos Ágabo agindo na primeira capacidade – predizendo certos eventos que em pouco tempo ocorreriam. Este aspecto de profecia não é visto na Igreja hoje em dia – apesar de haver alguns que simulam ter esta habilidade. O outro aspecto da profecia – comunicar a mente de Deus para o momento – é encorajado na assembleia local (1 Co 14:1). Este é um ministério muito necessário. O triplo objetivo deste tipo de ministério de profecia é:
                
q   “Edificação” – edificando os santos na santíssima fé (Jd. 20). Se os santos são deficientes em algum ponto da doutrina na fé Cristã, este tipo ministério vai atender esta necessidade. Isto é para nosso entendimento.
q  “Exortação” – despertando os santos em algum aspecto da prática Cristã. Se os santos estão deficientes em alguma área prática das suas vidas, isto atenderá esta necessidade (Ag 1:13-14). Isto é para nossas consciências.
q  “Consolação” – animando os santos. Este é ministério que encoraja os santos a continuarem no caminho da fé. Isto é para os nossos corações (Rt 2:13 – JND).
                               
                 Um profeta, neste sentido, trabalha para aperfeiçoar o estado dos santos, e assim a comunhão deles com o Senhor se aprofunda. Seu ministério trata com os corações e consciências do povo de Deus, e eventualmente, pode comunicar coisas que eles não queiram ouvir (At 21:10-14).

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Resumo: Uma assembleia bíblica reconhecerá os dons espirituais em seu meio e permitirá que sejam exercitados, como forem guiados pelo Espírito Santo. Na assembleia onde há a dependência do Espírito Santo e liberdade para Sua ação, Ele vai convocar e energizar os dons espirituais que lá estão, e eles agirão no ensino e exortação para a edificação de todos.



[1] (N. do T.: vamos nos ocupar no serviço – JND)

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