domingo, 20 de maio de 2018

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sábado, 24 de março de 2018

12) Há um divino Reunidor que guia Cristãos exercitados ao centro

Número Doze

Há um Divino Reunidor Que Guia Cristãos Exercitados ao Centro


                 Mateus 18:20, Lucas 22:7-20, e Apocalipse 3:7-13 nos mostraram que Deus tem um lugar – um terreno eclesiológico de princípios de reunião no qual Ele queria que os Cristãos se reunissem para adoração, ministério e comunhão. O apóstolo Paulo o chamou de “a Mesa do Senhor” (1 Co 10:21). Este termo, como mencionamos antes, simboliza a comunhão (o que uma mesa representa) a qual o Senhor formou, e para à qual Ele chamou todos os Cristãos (1 Co 1:9), onde Sua autoridade é reconhecida e reverenciada em questões administrativas (Mt 18:18,19; 1 Co 5:4). Estas mesmas três passagens (Mt 18:20; Lc 22:7-20 e Ap 3:7-13) também indicam que há um divino Reunidor (o Espírito Santo) que conduz crentes exercitados ao lugar de Sua escolha. Isto deveria ser um grande encorajamento para toda pessoa que está buscando encontrar o lugar onde o Senhor está no meio. Se formos verdadeiros e honestos em buscar os caminhos de Deus, o Espírito de Deus nos guiará ao Centro divino – Cristo no meio. Vamos ver isto nessas três passagens seguintes.

Mateus 18:20
                 Vamos voltar novamente a Mateus 18:20 e focar em outra parte do versículo: Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome...”. O Espírito não é diretamente mencionado nesta passagem, mas está claro a partir destas palavras que Ele é o poder por trás dos crentes sendo reunidos ao nome do Senhor. O Senhor não disse, “onde dois ou três se reunirem”, ou “se encontrem juntos”, como algumas traduções modernas apresentam. “Estiverem reunidos” é voz passiva no original Grego[1] e isto aponta para o fato de que há um poder fora das próprias pessoas que está envolvido em reuni-las naquele terreno. Isto mostra que o terreno divino de reunião não é uma associação voluntária de crentes. É verdade que deve haver exercício pessoal e energia da parte daqueles que estão reunidos pelo Espírito para serem encontrados no lugar onde Cristo está no meio, mas em última análise, Ele é Quem reúne.
                 Hamilton Smith disse, “Usando uma ilustração simples, vejo um cesto de frutas sobre a mesa. Como elas chegaram lá? Elas foram reunidas juntas; não chegaram lá por seus próprios esforços. A palavra para ‘gathered together’ (que numa tradução livre poderia ser ‘ajuntados em grupo’) em Grego é ‘sunago’ a qual literalmente quer dizer ‘conduzir juntos’, e poderia ser traduzida como ‘são guiados juntos’ – todas sugerem um Reunidor.”
                 J. N. Darby disse, “Ele [Cristo] é o único Centro de reunião. Os homens podem fazer associações entre si, tendo muitas coisas como seu objeto ou alvo, mas a comunhão dos santos não pode ser conhecida a não ser que toda linha convirja para o Centro vivo. O Espírito Santo não reúne santos em redor de meros pontos de vista, por mais verdadeira que seja sobre o que a Igreja é, sobre o que foi, ou sobre o que pode ser na Terra, mas Ele sempre os reúne em torno dessa bendita Pessoa, que é A mesma ontem, hoje e para sempre. ‘Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em [ao] Meu nome, aí estou Eu no meio deles.’

Lucas 22:7-10
Lucas 22:7-10 sustenta o fato de que há um divino Reunidor. Diz, Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem, levando um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar”. O Espírito de Deus é visto aqui na figura de “um homem” levando um cântaro de água. Muitas vezes na Escritura o Espírito de Deus é visto como um homem anônimo trabalhando atrás das cenas. Isto porque não é objetivo do Espírito de Deus chamar atenção sobre Si mesmo (Jo 16:13,14), e esta é a razão pela qual Ele não é mencionado diretamente em Mateus 18:20. Ele não toma lugar de proeminência no Cristianismo, mas trabalha atrás dos bastidores guiando almas exercitadas àquele terreno bíblico onde Cristo está no meio daqueles assim reunidos. Neste caso, Ele conduziu os discípulos ao lugar de escolha do Senhor onde poderiam estar com Ele para a Ceia. “Água” na Escritura frequentemente significa a Palavra de Deus (Ef 5:26; Jo 15:3). Assim, aprendemos que o Espírito de Deus usa os princípios da Palavra de Deus para guiar crentes ao lugar da escolha do Senhor.
                 Mateus 18:20 enfatiza o trabalho soberano de Deus em sermos reunidos pelo Espírito, mas em Lucas 22:8-12 concentra-se mais no que é exigido de nós para sermos guiados pelo Espírito para o lugar.

  • Primeiro, precisamos ter um desejo sincero de saber onde é o lugar da Sua escolha. Isto é ilustrado com Pedro e João inquirindo ao Senhor, Onde queres que a preparemos?
  • Segundo, é necessária a energia da fé para entrar na cidade e ser exercitado sobre ser levado ao lugar. Isto é ilustrado nas palavras, E, indo eles...” (v. 13).
  • Terceiro, há o exercício de subir as escadas de separação para o “cenáculo” (v. 12). Isto implicaria em deixar para trás toda conexão com o mundo – tanto secular como religiosa.
  • Quarto, tendo sido dirigido ao local da Sua escolha, há o exercício de “preparar” (v. 12). Isto se refere a nossa necessidade de estar em um estado espiritual de alma adequado à Sua presença. Nós preparamos nossas almas por meio do julgamento próprio (1 Co. 11:28).
Apocalipse 2 e 3
                 Estes dois capítulos também indicam o trabalho do Espírito de Deus nos guiando no caminho em relação à verdade da Igreja, sendo visto nas palavras, o que Espírito diz às igrejas – mencionado sete vezes nesses capítulos (cap. 2:7, 2:11, 2:17, 2:29, 3:6, 3:13, 3:22). O Espírito de Deus está falando na profissão Cristã, e estará na Terra fazendo isto até que o Senhor venha. Nossa responsabilidade é “ouvir” Sua voz e seguir Suas instruções. Se formos sensíveis à Sua direção, Ele nos levará a uma compreensão da Igreja. O Espírito do Senhor guiará um Cristão que ora.
                 A quem mais o Senhor poderia confiar o reunir de Seu povo ao Seu nome, senão ao Espírito de Deus! Os homens mais bem-intencionados procuraram reunir o povo do Senhor e fizeram disso uma confusão completa. Sendo ignorantes quanto a verdade do reunir conforme as Escrituras, os desviaram para seitas e grupos denominacionais e os encorajaram a ir "à igreja de sua escolha". O resultado é que Cristãos foram dispersos em milhares de direções. Isto certamente não é obra do Espírito Santo.

Deus Usa Instrumentos Humanos
                 O Espírito pode usar um instrumento humano nesta obra de guiar crentes no caminho da verdade. Ele pode permitir que alguém que conhece a verdade do reunir, passe esta verdade para uma pessoa que está procurando o lugar, e assim instruí-lo mais precisamente no caminho de Deus” (At 18:24-26). A este respeito, queremos ser instrumentos prontos nas mãos do Senhor, “preparado para toda a boa obra” (2 Tm 2:21, 24-26).
                 Toda a verdade é para toda a Igreja. Temos de fazê-la disponível para cada um que a procura. Deveríamos estar sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3:15). Mas precisamos ser cuidadosos neste trabalho. Não devemos tentar fazer a obra do Espírito Santo em reunir Cristãos ao nome do Senhor. W. T. P. Wolston advertiu, “Não empilhe seus convertidos dentro da assembleia”. Precisamos estar em comunhão com o Senhor quanto ao quando e como damos a alguém a verdade do reunir. Ao indiscriminadamente espalhar a verdade da assembleia a todos que encontramos, podemos inadvertidamente dar “aos cães as coisas santas” e deitar “pérolas” aos “porcos” (Mt 7:6). Um “porco” na Escritura é frequentemente usado para descrever um falso professante. Uma “pérola” na Escritura se refere à assembleia (Mt 13:45,46). E esta verdade é propriedade exclusiva da Igreja. A verdade concernente à assembleia deve ser disseminada cuidadosamente.
                 Uma razão por que deveríamos ser cuidadosos nesta questão é que pode ser possível forçar a verdade nas pessoas quando elas não estão prontas para ela. Às vezes, podemos estar tão ansiosos para mostrar às pessoas a verdade da assembleia e isto transformar-se em uma discussão. Precisamos dar a eles tempo para que a considerem, e orar para que o Senhor os guie. J. N. Darby disse que nunca tentou coagir alguém no caminho que ele estava seguindo (sendo reunido ao nome do Senhor) que não tivesse fé ou convicção para isso. Que possamos ser guiados pelo Senhor neste serviço.

O Centro de Reunião de Deus na Terra Hoje

                 Então, há um centro divino de reunião para Cristãos na Terra? Sim, a Escritura ensina que há. Onde é então? Ora, é para cada Cristão procurar e encontrar. O Senhor disse buscai, e achareis” (Lc 11:9). Deus quer que sejamos exercitados sobre isso e procuremos o Senhor para orientação, assim como Pedro e João fizeram quando eles perguntaram ao Senhor “onde” Ele queria que estivessem (Lc 22:9). “A glória de Deus é encobrir o negócio; mas a glória dos reis é tudo investigar” (Pv 25:2). A resposta para a pergunta: “quem tem a Mesa do Senhor?” é – o Senhor! É a Sua Mesa, e Ele está guiando crentes exercitados para ela.

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                 Tendo completado o modelo de uma assembleia reunida biblicamente, nosso desejo é colocá-lo nas mãos daqueles que estão verdadeiramente exercitados sobre estas coisas, e que o Senhor os guie ao lugar de Sua escolha, para que conheçam a alegria da Sua presença no meio daqueles a quem Ele reuniu ao Seu nome.





[1] (N. do T.: Se em Português estivesse na voz passiva seria “Porque, onde forem dois ou três reunidos em meu nome...”)

11) Deus tem um centro de reunião na Terra para os Cristãos

Número Onze

Deus Tem um Centro de Reunião na Terra Para os Cristãos


                 Olhando as coisas por esse lado, um grande ponto a ser percebido é que Deus tem um centro de reunião na Terra no Cristianismo. As Escrituras indicam que Ele tem um lugar – um terreno eclesiástico – onde Ele teria os Cristãos reunidos para adoração e ministério. Este centro de reunião é Cristo mesmo.

A Promessa de um Lugar de Reunião no Cristianismo
                 Mateus 18:20, ao qual já nos referimos diversas vezes, indica isto. Diz, “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em [ao] Meu nome, aí estou Eu no meio deles”. “Onde neste versículo indica que há um lugar de reunião de divina indicação onde Deus está reunindo Cristãos ao nome do Senhor. Como mencionado, esse lugar de reunião no Cristianismo não é um centro geográfico literal, mas um terreno espiritual envolvendo princípios bíblicos que têm a ver com a forma como os Cristãos se reúnem para adoração e ministério. Aqueles nesse terreno não estão reunidos aos princípios, mas ao nome de uma Pessoa – o Senhor Jesus Cristo – que está no meio deles.
                 Este centro de reunião é um lugar da escolha do Senhor, onde colocou Seu nome e onde Ele reúne crentes. Nota: este versículo não diz “onde quer” – como alguns Cristãos leriam (como na Phillips Modern English Version). “Onde quer” faz dele um lugar de nossa escolha, mas “onde” – que é o que a Escritura diz – faz dele um lugar de Sua escolha. É por isso que frequentemente é chamado de “o lugar de Sua escolha”. Muitos pensam que Mateus 18:20 está dizendo simplesmente que sempre e onde quer que os Cristãos se reúnam – seja em uma cafeteria local, ou para algum propósito recreativo, etc. – eles têm a presença coletiva do Senhor com eles. Ora, é verdade que, quando os Cristãos se reúnem por qualquer propósito que tenham em mente, a presença do Senhor é com eles como indivíduos, porque Ele disse, “e eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:20). E “Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13:5). Mas não é disso que Mateus 18:20 está falando. Há diferença na Escritura entre a presença do Senhor com Seu povo como indivíduos, e a presença do Senhor com uma companhia de crentes coletivamente, reunidos em assembleia para adoração, ministério e para executar ações administrativas de ligar e desligar. Esta última (ligar e desligar) é ao que Mateus 18 está se referindo.
                 Contexto é tudo na interpretação da Bíblia. Se olharmos em Mateus 18, veremos nos versículos que levam ao versículo 20 que o Senhor estava falando “da assembleia” em sua capacidade administrativa de ligar e desligar. O capítulo tem a ver com a autoridade que a assembleia local tem para tais ações, porque o Próprio Senhor está no meio. O Senhor está no meio sancionando o terreno sobre o qual eles se encontram como reunidos ao Seu nome, e, consequentemente, sancionando também suas ações administrativas. Tendo dito isto, nos apressamos em dizer que a presença do Senhor no meio daqueles a quem Ele reuniu não sanciona seu estado – porque esse pode ser baixo – mas sim o terreno sobre o qual se reúnem. Esta é uma nota importante.

O Cenáculo
                 Lucas 22:7-10 estabelece este mesmo ponto; havia um lugar “onde” o Senhor queria que os Seus se encontrassem com Ele – no “cenáculo”. Ele estava prestes a instituir a Ceia do Senhor – o partimento do pão (Lc 22:19,20; 1 Co 10:16,17, 11:23-26) – e Ele desejava que Seus discípulos o fizessem no lugar de Sua escolha. Havia muitos locais em Jerusalém naquela noite em que se guardavam a festa, mas havia apenas um único lugar onde o Senhor estava presente – o lugar que Ele escolheu para Seus discípulos O encontrarem. Igualmente, a Cristandade está em desordem, e como resultado, há muitos lugares onde Cristãos se encontram hoje em dia, mas o Senhor não está em todos os lugares, neste sentido coletivo, para sancionar o terreno no qual eles se encontram. Se Ele estivesse, estaria sancionando o estado dividido do testemunho público da Igreja. Será dito mais sobre isto à medida que avançamos.

Filadélfia
                 As cartas do Senhor às sete igrejas na Ásia confirmam o mesmo ponto (Ap 2 e 3). Se voltarmos às observações do Senhor àquelas igrejas, poderemos ver que há um terreno eclesiástico – um testemunho coletivo na Terra – o qual Ele aprova. Não podemos senão pensar que é aí onde o Senhor quereria que estivéssemos, e aonde o Espírito de Deus conduziria crentes exercitados.
                 Como mencionado antes, essas cartas apresentam a história profética da Igreja. Cada assembleia, consecutivamente considerada, representa estágios por meio dos quais toda a Igreja passaria na história. É significativo que a vinda do Senhor é mencionada em cada uma das quatro últimas igrejas, mas não é encontrada nas três primeiras. Isso indica que o que existiu historicamente nos três primeiros períodos saiu de cena, mas o que é apresentado nas quatro últimas igrejas continua até que o Senhor venha. As quatro últimas igrejas são: Tiatira, Sardo, Filadélfia e Laodicéia. Elas apresentaram quatro condições que existem hoje no testemunho público da Igreja.

                 A assembleia de “Tiatira” representa o poderoso sistema que se levantou na Igreja por volta de 580 d.C. conhecido como Catolicismo (Ap 2:18-29). Ele retrata o período em que esse sistema eclesiástico governou a Igreja e o mundo (na Europa). A palavra Tiatira significa “sacrifício contínuo” e se refere à Missa Católica. “Jezabel” representa o ensino perverso do Catolicismo. Ela chamava a si mesma de “uma profetisa e assumiu um papel na Igreja que Deus nunca deu a ela. Ela começou a “ensinar e seduzir” seus súditos com suas doutrinas e práticas malignas. O sistema católico criou seus dogmas e os forçou na profissão Cristã e no mundo.
                 Uma vez que a vinda do Senhor é mencionada em Suas observações à Tiatira (Ap 2:25), entendemos que aquilo que esta igreja representa continuará até que Ele venha – o Arrebatamento. Na verdade, continuará depois do Arrebatamento até a metade do período de sete anos de tribulação – sob a figura do Mistério Babilônia (Ap 17). Este grande sistema eclesiástico é facilmente identificado no mundo hoje.

                 A assembleia em “Sardo” representa o Protestantismo, o qual começou em 1.529 d.C. (Ap 3:1-6). A palavra “Sardo” quer dizer “aqueles que escapam” e significa o que aconteceu naquela época. Assim como Jeú no passado foi usado para quebrar a influência que Jezabel tinha sobre o reino de Israel (2 Rs 9,10), Deus levantou os reformadores e os usou para quebrar o poder do Catolicismo. Isso permitiu que muitos santos escapassem de suas garras. As duas coisas principais que os reformadores insistiram foram a supremacia da Bíblia sobre a Igreja e a salvação apenas por fé.
                 É significativo que o Senhor disse a esta assembleia, não achei as tuas obras perfeitas [completas]”. O que começou no poder do Espírito tornou-se algo frio, formal, numa ortodoxia morta. Os reformadores se voltaram ao Estado por proteção contra a perseguição da igreja de Roma e estabeleceram as grandes igrejas nacionais no Protestantismo que existem até hoje. A assembleia em Sardo representa a condição das coisas na Cristandade depois que o impulso da Reforma passou. Descreve no que os reformadores caíram – Protestantismo. É triste dizer, os reformadores saíram do Catolicismo, mas, infelizmente, o Catolicismo não saiu inteiramente deles. Assim, as igrejas Protestantes têm muito dos princípios e práticas católicas.
                 Novamente, a vinda do Senhor é mencionada em Sardo. É na verdade a Sua Aparição, que ocorre depois da Grande Tribulação (Ap 3:3). Isto quer dizer que o Protestantismo continuará até o Arrebatamento, e além dele. A religião do Cristianismo, no que se refere às práticas exteriores da Igreja, será destruída no meio da semana profética, mas os professantes sem vida conectados a ela permanecerão para serem julgados na Aparição de Cristo. Como em Tiatira, o que Sardo representa no mundo Cristão é também facilmente identificável hoje nas grandes igrejas nacionais Protestantes e igrejas dissidentes que surgiram a partir delas.
                                 
                 A assembleia em “Filadélfia” representa o movimento na Igreja que começou em 1827 d.C. (Ap 3:7-13). “Filadélfia” quer dizer “amor fraternal” e significa o estado feliz de um testemunho remanescente de crentes que foram exercitados a retornar aos primeiros princípios em relação à ordem e prática da assembleia.
                 Em cada uma das igrejas anteriores, o Senhor Se descreveu de acordo com uma das características as quais João viu no capítulo 1. Mas ao dirigir-Se a essa igreja Ele Se apresenta de modo inteiramente novo; isto significa um novo início. Até agora, havia um remanescente de crentes fiéis que caminhavam sozinhos como indivíduos (Ap 2:24-25, 3:4), mas nesse momento, o Senhor trouxe à existência um testemunho remanescente em sentido coletivo.
                 O Senhor Se apresenta a esta igreja de três maneiras. Ao compreendê-Lo nessas características, três grandes coisas resultaram naquele momento. Primeiro, o Senhor disse, o que é santo, o que é verdadeiro. Cristãos exercitados viram o Senhor em Seu verdadeiro caráter e entenderam que para ter comunhão com Ele, santidade e verdade eram exigidas deles. Isto os levou por vários exercícios em relação à separação do mal. Tal resultou em quebrar todos os jugos desiguais – seculares e eclesiásticos (2 Tm 2:19-22).
                 Em segundo lugar, o Senhor Se apresenta como tendo “a chave de Davi”. Esta é uma referência às profecias do Antigo Testamento concernentes ao Messias de Israel (Is 22:22). São profecias conectadas com as promessas feitas a Davi em relação a Cristo, que sairia de sua descendência para reinar em Seu reino. Naquele tempo, o Senhor abriu aos santos a compreensão de assuntos proféticos. Daí resultou um despertar geral e interesse pela profecia na profissão Cristã. Ao aprender assuntos proféticos, eles descobriram que a Igreja não tinha parte nas bênçãos terrenais futuras de Israel, mas tinha suas próprias bênçãos distintas e celestiais. A eles foi dado conhecer a verdadeira natureza e chamado da Igreja, bem como seus arranjos práticos para a adoração e ministério enquanto estiverem na Terra. A completa revelação da verdade Cristã que uma vez foi dada aos santos (Jd 3) foi recuperada naquele tempo – incluindo a verdade da vinda do Senhor (o Arrebatamento).
                 Em terceiro lugar, o Senhor Se apresenta a esta igreja como O que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre”. Isto aponta para o fato de que o que aconteceu naquele tempo foi um movimento da soberania de Deus que nenhum homem ou o diabo poderia parar. Compreender isto deu a todos aqueles ligados a este testemunho a coragem de se reunirem para a adoração e ministério de acordo com a simplicidade das Escrituras, e não havia nenhum homem que pudesse impedi-lo (compare Atos 28:31).
                 É significativo que esta igreja é marcada por ter “pouca força”. Eles tinham o mesmo poder espiritual que a Igreja primitiva tinha (At 4:33), mas era “pouca” porção. Então, este despertar não foi um movimento de larga escala no mundo. Não tinha um grande status no mundo, tal como tinha a Igreja Católica e as igrejas do Protestantismo. Guardando Sua “Palavra” também marca esta igreja. Historicamente, aqueles conectados a este movimento eram conhecidos por serem estudantes das Escrituras (At 17:11). Esta igreja é também conhecida por não negar Seu “nome”. Eles abandonaram todos os nomes denominacionais e títulos e estavam felizes de se reunirem simples e somente ao Seu nome (Mt 18:20).
                 Eles são recomendados por guardarem a Palavra da Sua “paciência”, a qual é um aspecto da verdade que tem a ver com a esperança da vinda do Senhor (v. 10). Guardando-a (não apenas a conhecendo) os fez estrangeiros celestiais neste mundo. Então, como peregrinos, não se envolvem em assuntos políticos do mundo. O Senhor prometeu à esta igreja que Ele viria “sem demora” (v. 11). Isto se refere à iminência da Sua vinda, a qual estava particularmente diante deles.
                 O Senhor avisou aos filadelfienses do perigo de não guardarem o que lhes foi dado e consequentemente perderem a “coroa” (v. 11). Um perigo sempre presente ao filadelfiense é renunciar a verdade que Deus lhe deu. Ora, isto foi exatamente o que aconteceu com alguns que estavam conectados a este movimento. Eles abriram mão de porções e partes da verdade recuperada neste período e foram afastados e dispersos em divisões entre irmãos e nas igrejas denominacionais.
                 É significativo que Filadélfia é a única das quatro igrejas que vai até o final e que o Senhor não encontra nada o que julgar. Diferentemente das outras igrejas, não há uma palavra de condenação dada a eles. Eles não são chamados a se “arrependerem”, como foi o caso com as outras igrejas, porque já estavam em estado de arrependimento. Eles sentiram o estado partido e arruinado da Igreja como um todo e confessaram sua parte em seu fracasso público (compare Daniel 9; Esdras 9; Neemias 9). Está claro, portanto, que esse é um testemunho coletivo que o Senhor aprova. É óbvio que esta é a posição eclesiástica onde o Senhor quer que estejamos.
                 Uma vez que o Senhor menciona Sua vinda para aqueles em Filadélfia, sabemos que o que esta igreja representa continua até o Arrebatamento. Podemos nos regozijar que exista alguma posição eclesiástica na Cristandade hoje em dia que encontra aprovação do Senhor. No entanto, já que este testemunho carrega um caráter de remanescente, não é fácil identificá-lo na Cristandade, como são Tiatira e Sardo. Isso pode exigir algum exercício e alguma busca para encontrá-lo.

                 A assembleia em “Laodiceia” representa a condição da Igreja que brotou a partir do que teve lugar em Filadélfia (Ap 3:14-22). Isto se iniciou no final da segunda metade do século 19. O que é descrito em Laodiceia responde ao testemunho da Igreja em seus últimos dias. “Laodicéia” significa “os direitos do povo” e denota as ideias democráticas modernas que influenciaram a Igreja nestes últimos dias. A formação de igrejas independentes que escolhem seus anciãos e nominam seus pastores caracteriza esse último período. O resultado é que muitas igrejas ditas "evangélicas" surgiram na Cristandade.
                 Laodicéia descreve uma parte no testemunho Cristão que é caracterizado pela grandeza autossuficiente que se imagina dotada de riquezas espirituais e poder, mas na realidade é um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”. Em vez de o Senhor avaliar o estado da assembleia em Laodicéia, como fez nas igrejas anteriores, os laodicenses O colocaram para fora da sua porta e assumiram Seu lugar e avaliaram sua própria condição como sendo ricos e bons. Isto é realmente inacreditável. O estado daqueles em Laodicéia era “morno” e tão repugnante ao Senhor que Ele anunciou que estava prestes a “vomitá-los" da Sua boca. Isto ocorrerá em Sua vinda – o Arrebatamento.
                 Laodiceianismo é ter a luz e verdade de Filadélfia, mas sem o seu poder no nosso caminhar. É a retenção da verdade recuperada nos tempos de Filadélfia (ou de suas partes) nominal ou intelectualmente, mas sem ter qualquer influência moral sobre a vida de ninguém. Por exemplo, a maioria dos Cristãos evangélicos acredita na verdade da vinda do Senhor (o Arrebatamento) a qualquer momento, mas com muitos, isto tem pouco ou nenhum efeito prático em sua vida pessoal. Como resultado, em vez de fazer a Igreja mais peregrina em caráter, ela se tornou mais mundana do que nunca.
                 Esta igreja é marcada por uma indiferença grosseira aos apelos de Cristo. É retrato de uma igreja sem Cristo que colocou o Senhor da glória fora de sua porta. É difícil de acreditar que eles tiveram a audácia de excomungar o Cabeça da Igreja – pelo menos na prática! Tal é a lamentável condição que marca a Cristandade moderna nestes últimos dias. Esta é a figura solene com a qual se encerra o capítulo 3, e com isso, a história da Igreja na Terra.

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                 Olhando atentamente o que essas quatro igrejas representam, vemos que há apenas um testemunho coletivo dentre os quatro que o Senhor aprova. Se Ele tivesse que escolher colocar Seu nome em algum lugar na Terra, e lá estivesse reunindo Cristãos (Mt 18:20), teria que ser Filadélfia. Não podemos pensar que o Espírito de Deus conduziria pessoas a qualquer lugar senão àquele que tem a aprovação do Senhor. O exercício pessoal de cada Cristão deveria ser o de estar identificado com o que Filadélfia representa, embora possa ser mantido em muita fraqueza.
                 As últimas duas igrejas descrevem partes eclesiásticas na Cristandade, mas também descrevem dois estados espirituais na Igreja. É possível, portanto, estar conectado à posição eclesiástica de Filadélfia, mas estar no estado de Laodicéia. O livro de Malaquias ilustra este ponto. O povo naquela época estava na posição correta (em Jerusalém), mas em uma condição errada (espiritualmente). Portanto, no momento em que pensamos que somos Filadélfia, provamos que somos Laodicéia. Verdadeiros Filadelfienses não estão ocupados consigo mesmo e seu testemunho; eles estão ocupados com o Senhor e tentando agradá-Lo.

O Único Centro de reunião no Antigo Testamento é um tipo do Único Centro no Cristianismo

                 A verdade de Deus de ter um único centro divino de reunião pode ser esquadrinhada no Antigo Testamento. Não podemos pensar que o centro divino de reunião no Antigo Testamento não tenha equivalência no Novo Testamento. De fato, Seu centro no Antigo Testamento é, na verdade, uma figura do Seu centro de reunião no Cristianismo.

Abraão em uma das Montanhas de Moriá
                 A verdade de um centro divino de reunião é vista pela primeira vez em Gênesis 22. Deus tinha um “lugar” específico onde Ele queria que Abraão oferecesse seu filho Isaque como holocausto. É significativo que não era em qualquer lugar em Moriá, mas em uma das montanhas” para a qual Deus o dirigiria (v. 2). Ele não disse a Abraão, “vá a uma montanha de sua escolha...”. Não era uma questão de Abraão escolher o lugar, mas de Deus escolher. Foi o mesmo lugar que o Senhor escolheu para que Seu povo se reunisse para adoração na terra de Canaã muitos anos depois (Dt 12:5-7; 2 Cr 6:6; Sl 132:13). Jerusalém foi construída lá, e o templo foi erigido nesse local (2 Cr 3:1, 5:13,14). Era o próprio lugar onde o Filho de Deus Se tornaria oferta pelo pecado e consumaria a redenção por meio de Sua obra na cruz (Lc 9:31; Mt 20:18-19). Parece que Deus tinha Seus olhos naquele lugar desde o momento que lançou os fundamentos da Terra. O lugar que Deus escolheu (Jerusalém) é o tipo do Seu lugar de reunião no Cristianismo.
                 O fato de que Deus disse a Abraão, “que Eu te direi...”, indica que haveria a necessidade de condução divina para encontrar “o lugar”. Observe também: havia a necessidade de ver o lugar de longe (v. 4), o que implica compreender a verdade de um único centro de reunião. E então havia a necessidade de ir para lá (v. 9); isto implica os exercícios do coração em relação a ser levado ao lugar. Abraão tinha os olhos para ver o lugar e a força para procurar e encontrá-lo. Deus deseja que tenhamos os dois. Isto significa que ser levado ao lugar designado por Deus não é mero exercício intelectual.
                 Indo para esse lugar para “adorar”, Abraão deixou o “moço” para trás com o “jumento”. Isto nos diz que a energia da natureza (o moço) deve ser colocada no lugar da carne (os jumentos). Essas coisas precisam estar fora do caminho quando buscar ser guiado pelo Senhor. Preferências pessoais e gostos e aversões naturais não têm nada a ver com isto. Isto também nos diz que indo “ao lugar”, podemos ter que deixar amigos e conhecidos para trás, os quais não veem o que vemos no lugar.
                 Quantas montanhas havia lá na “terra de Moriá? Não sabemos, mas sabemos que Deus tinha “uma” e apenas uma em mente para qual Abraão deveria ir. Havia apenas uma montanha que tinha um carneiro detrás dele, travado pelas suas pontas, num mato” – um tipo de Cristo (v. 13). Se Abraão tivesse ido a qualquer outra montanha em Moriá, ele não teria visto essa visão maravilhosa. Quando Abraão chegou lá, “levantou Abraão os seus olhos” e viu o carneiro (v. 13). Se ele não tivesse feito isto, teria perdido esta cena, mesmo estando ele no lugar. Isto nos diz que é possível estar onde o Senhor está no meio, mas perder o Objeto ao qual o Espírito de Deus focaria as atenções de nossos corações – Cristo no meio.

O Centro de Reunião é uma Pessoa
                 A próxima referência de Deus tendo um centro de reunião na Escritura é encontrada em Gênesis 49:10 O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a Ele se congregarão os povos”. “Siló” é uma referência a Cristo. Significa “pacificador” ou “homem de paz” e refere-Se a Ele que é o “Príncipe da Paz” (Is 9:6).
                 Esta profecia indica que “Judá” (os Judeus) manteria seu lugar na terra “até” que Cristo viesse, e após isso o “cetro” se afastaria deles. Isto aconteceu quando Tito e os Romanos conquistaram a terra e espalharam os Judeus (70 d.C.). A profecia vai adiante e diz que após isso “Siló” se tornaria o Centro de reunião de todas as nações. Isto vai acontecer no Milênio (Zc 2:11; Sl 47:9). A palavra “povos” (plural), que se refere às nações gentias sendo reunidas a Ele.
                 O grande ponto a ser entendido nesta profecia é que o centro de reunião de Deus não é apenas um lugar geográfico na Terra; é também uma Pessoa – o próprio Senhor. Assim, nestas duas primeiras referências ao centro de reunião de Deus nas Escrituras, aprendemos que Ele tem um LUGAR que escolheu para reunir Seu povo para adoração (Gn 22), e há uma PESSOA divina que está lá no meio – o Senhor (Gn 49).

O Único Lugar Anunciado em Deuteronômio 12
                 Quando os filhos de Israel entraram na terra de Canaã para habitarem lá, o Senhor disse a eles que Ele tinha escolhido um lugar para trazerem suas ofertas e adoração. Ele apontou o lugar para Davi fazendo descer fogo do céu naquele local (1 Cr 21:22; 22:1). O lugar era Jerusalém (2 Cr 3:1, 6:6).
                 É significativo que as características que marcaram o lugar designado por Deus no Antigo Testamento são as mesmas, em princípio, do lugar de escolha do Senhor no Cristianismo. Algumas dessas correspondentes características são:

  • Jerusalém era o lugar que o Senhor tinha “escolhido” para Israel se reunir – não foi o povo que o escolheu (Dt 12:5; 2 Cr. 6:6). Igualmente, o terreno que o Senhor escolheu no Cristianismo para Cristãos se reunirem não é em qualquer lugar que escolham se reunir, mas “onde” Ele escolheu (Mt 18:20; Lc 22:7-10).
  • Jerusalém era o lugar onde o Senhor colocou Seu nome (Dt 12:5, 11). Igualmente, o Senhor colocou Seu nome como centro de reunião hoje – “onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome” (Mt 18:20).
  • Jerusalém era o lugar onde a presença do Senhor seria conhecida – era “Sua habitação” (Dt 12:5). Igualmente, a presença do Senhor sanciona o terreno sobre o qual Cristãos são reunidos pelo Espírito, e Ele está ali, “no meio”.
  • Jerusalém era o lugar onde os Israelitas deveriam oferecer seus sacrifícios a Deus, e não em qualquer outro lugar (Dt 12:6, 11-14; Lv 17:1-9). Igualmente, Cristãos devem se reunir para partir o pão e adoração apenas no lugar da escolha do Senhor.
  • Jerusalém era o lugar onde os Israelitas deveriam ter feliz comunhão com seus irmãos (Dt 12:7, 12, 18; 14:26). Igualmente, o centro de reunião hoje é um lugar não apenas para adoração e ministério, mas também comunhão (At 2:42).
  • Jerusalém era o lugar onde Israel realizava suas festas anuais (Dt 16:2, 6, 11, 15,16). Igualmente, todas as reuniões da assembleia devem ser realizadas no mesmo terreno de reunião.
  • Jerusalém era o lugar onde decisões administrativas de ligar e desligar eram tomadas (Dt 17:8-13). Igualmente, aqueles no centro de reunião no Cristianismo têm autoridade para agir em nome do Senhor ao tomarem decisões vinculativas.
  • Jerusalém era o lugar onde os Israelitas levavam seus dízimos. Esses eram presentes ao Senhor (Dt 26). Igualmente, as “coletas” dos santos são para ser feitas no primeiro dia da semana e incluída na adoração oferecida ao Senhor (1 Co 16:1,2; Hb 13:15,16).
  • Jerusalém era o lugar onde Israel tinha que se reunir para ouvir e aprender a verdade da Palavra de Deus (Dt 31:11-13). Igualmente, o Senhor queria ter os crentes para estarem juntos para aprenderem “a doutrina dos apóstolos” no lugar de Sua escolha (At 2:42).
  • Jerusalém era o lugar onde oração era feita (1 Rs 8:28,29). Igualmente, no Cristianismo temos reunião de oração no lugar de Sua escolha (At. 2:42; 4:23-31).
                 É significativo que essas características que marcaram o lugar designado por Deus no Antigo Testamento são as mesmas, em princípio, que marcam o lugar designado pelo Senhor no Cristianismo (Mt 18:20). Também é notável que em todas as muitas referências em Deuteronômio a este "lugar”, não há menção de onde era. À medida em que a história de Israel se desenrola nas páginas da Palavra de Deus, aprendemos que era em Jerusalém (Sl 132:13; 1 Rs 11:13, 32, 36, 14:21, 15:4; 2 Cr 6:6, etc.). O lugar não é mencionado em Deuteronômio porque o Senhor queria que o Seu povo se exercitasse em buscá-lo quando entrassem na terra (Dt 12:5 – “buscareis”). Isso sugere que transitar pela verdade antes de estarmos preparados para nela caminharmos, tende a tornar-se apenas um exercício intelectual, e o Senhor não quer isso.

Siló e Jerusalém
Quando os filhos de Israel entraram na terra de Canaã, Deus permitiu que eles fizessem da cidade de "Siló" seu centro (Js 18:1). Este foi um lugar escolhido pelo povo; a Escritura não diz que o Senhor escolheu Siló (1 Rs 8:16). A referência em Gênesis 49:10 pode tê-los feito pensar que o centro deveria ser na cidade de Siló. No entanto, Jacó estava falando de uma Pessoa – não uma localidade na Terra.
                 O Senhor suportou e permitiu que tivessem Siló (a cidade) como seu centro. Isto foi dado provisoriamente a eles para mostrar o estado do povo – da mesma forma o Senhor permitindo o povo escolher o Rei Saul. Israel precisava aprender algumas lições a respeito dessas coisas e de si mesmos, e Deus usou Siló para fazer isso. Quando o centro deles estava naquele lugar, tudo deu errado, e eles falharam de todas as formas. Consequentemente Deus permitiu que a arca fosse levada pelos seus inimigos (1 Sm 4:10,11). O Senhor abandonou Siló, a qual estava na “tribo de Efraim” (Jr 7:12; Sl 78:60, 67), e então quando Davi entrou em cena, Ele escolheu “a tribo de Judá” e o “monte Sião” (Sl 78:68,69).
                 Isto aconteceu como resultado de certos exercícios pelos quais Davi passou a respeito do lugar de escolha do Senhor (Sl 132). Deus indicou isso para ele fazendo descer “fogo” do céu no ponto exato em que ele ofereceu o holocausto. Isto era um sinal de que o Senhor aceitou sua oferta, e por isso ele discerniu que este era o lugar onde a casa de Deus deveria ser construída (1 Cr 21:26,27; 22:1). Quando Davi trouxe a arca àquele lugar e seu filho (Salomão) construiu lá o templo, Deus novamente identificou aquele ponto como sendo o lugar de Sua escolha fazendo descer “fogo” do céu pela segunda vez (2 Cr 7:1), e a nuvem de glória Shekinah, que significava que a presença do Senhor pousou ali (2 Cr 5:13,14). Era a autorização do Senhor sobre o lugar o qual Ele tinha escolhido para reunir Seu povo para sacrifícios e adoração.

A Revolta Contra o Único Centro em Jerusalém
                 Não muito tempo após Deus estabelecer Jerusalém como o lugar de Sua escolha, houve um ataque à verdade de um centro de reunião em Israel. Como mencionado antes, o inimigo veio e levou dez das doze tribos para longe do centro sob a revolta de Jeroboão (1 Rs 11 e 12). Havia faltas em ambos os lados, mas não justificava a divisão. Isto nos mostra que o inimigo tem uma particular aversão a esta verdade, e isto não é diferente hoje.
                 Para solidificar a divisão, Jeroboão estabeleceu dois centros falsos: um perto de Jerusalém (em Betel) e outro longe de Jerusalém (em Dã). Ele ordenou uma festa nesses falsos centros "como" aquela que acontecia em Jerusalém para dar-lhe uma aparência de verdadeira ordem de Deus (1 Rs 12:33). Isto foi feito para tranquilizar as consciências daqueles que adoravam nesses novos centros. Mas foi algo que ele tinha imaginado no seu coração” (1 Rs 12:33).
                 O povo podia comer a Páscoa em Betel ou em Dã, e chamar isso de Páscoa, e isso deve ter se parecido com a Páscoa em Jerusalém. Aqueles que a celebravam naqueles falsos centros podem ter sinceramente crido que era a Páscoa. Eles podem até ter zombado da verdade de haver um centro em Israel ao dizer que aqueles em Jerusalém eram orgulhosos e arrogantes, e estavam fazendo altas reivindicações. Mas a verdade da questão é que permanecia apenas um centro em Israel que o Senhor o reconhecia com a Sua presença – Jerusalém.

O Tempo de Ezequias
                 Mesmo bem depois na história de Israel, nos dias de Ezequias, havia muitas falhas da parte do povo, mas Deus ainda reconhecia Jerusalém como Seu único centro de reunião. As coisas não haviam mudado mesmo sendo muitos anos mais tarde. Isto mostra que o passar do tempo não altera os princípios de Deus para a reunião.
                 Quando Ezequias e aqueles que com ele em Jerusalém celebraram a Páscoa, mandaram mensageiros pelas tribos de Israel lembrando-os de que Deus queria que celebrassem a festa em Jerusalém, mas a maioria deles rejeitou (2 Cr 30). Mas isto não mudou a verdade de um centro. No entanto, alguns de poucas tribos se humilharam, e vieram a Jerusalém” (v. 11). Isto mostra que o ponto de abandono é o ponto de restauração e que humilhar-se a si mesmo é necessário para fazer esta jornada moral ao centro.

O Único Centro de reunião durante o Milênio
                 Num dia vindouro, quando Israel for restaurado e trazido de volta para a sua terra, o próprio Senhor será o centro de reunião em Jerusalém. a Ele se congregarão os povos” (Gn 49:10; Sl 50:5, 99:1,2; Ez 43:5, 48:35; Sf 3:5, etc.). Durante o Milênio será o centro terreno de Deus para Seu povo terreno.

A Mesa do Senhor
                 “A mesa do Senhor” (1 Co 10:21) é um termo simbólico que significa o terreno de comunhão sobre o qual Deus reuniria os membros do corpo de Cristo para adoração e ministério. Uma mesa na Escritura simboliza comunhão; neste caso comunhão para a qual todos os Cristãos são chamados (1 Co 1:9), onde a autoridade do Senhor é reconhecida e reverenciada. Por isto é chamada de mesa “do Senhor”. Não é idêntica à “Ceia do Senhor” (1 Co 11:20), embora muitas vezes sejam confundidas. Os Cristãos usarão os dois termos indiferentemente – não percebendo que são duas coisas diferentes. A Ceia do Senhor é uma ordenação literal na qual os Cristãos participam do partimento do pão, enquanto que a Mesa do Senhor denota o terreno de princípios espirituais nos quais o Senhor reúne Cristãos ao Seu nome, onde Sua autoridade é reconhecida em seu meio.
                 Não é correto, portanto, dizer que vamos à Mesa do Senhor no dia do Senhor. Se fomos recebidos à comunhão à Mesa do Senhor, estamos nela sete dias por semana, vinte e quatro horas por dia. Em condições normais, vimos à Mesa do Senhor uma vez, mas participamos da Ceia do Senhor numa hora específica no dia do Senhor. Portanto, tampouco seria correto dizer que “o irmão Fulano se levantou à Mesa do Senhor para dar graças...” Sabemos o que quer dizer, mas seria mais correto dizer que ele se levantou na Ceia do Senhor para dar graças pelos símbolos. A Mesa do Senhor não é uma mesa literal que os irmãos colocam no meio de uma sala sobre a qual os emblemas do partimento do pão são colocados. Nem nós devíamos pensar que a Mesa do Senhor é uma coisa mística no céu em que estão todos os Cristãos. Mas é simbólica do verdadeiro terreno de reunião na Terra onde o Senhor reúne os crentes. Todos os Cristãos deveriam estar à Mesa do Senhor, mas por causa da confusão e grande dispersão de crentes na Cristandade, relativamente poucos estão lá.
                 Quando alguém é recebido em comunhão, ele é recebido "à Mesa do Senhor" onde ele tem o privilégio de tomar "a Ceia do Senhor". Se uma pessoa é "excluída" sob um ato administrativo de julgamento pela assembleia (1 Co 5:13), ele é colocado fora da Mesa do Senhor, não apenas da Ceia do Senhor. Assim, ele é colocado fora da comunhão dos santos reunidos ao nome do Senhor como um todo, o que incluiria o privilégio de partir o pão. Alguns pensam que o comer, mencionado em 1 Coríntios 5:11 (“com o tal nem ainda comais”) refere-se a comer a Ceia do Senhor. Daí eles concluem que não devemos partir o pão com uma pessoa que tenha sido afastada, mas que podemos ter comunhão com ele de outra maneira. Isto é essencialmente afastar uma pessoa da Ceia do Senhor, mas não da Mesa do Senhor e não é o que Escritura ensina. A Escritura diz que afastar deve ser “dentre vós” – o que é mais amplo que comunhão na Ceia. O comer a que o Apóstolo se refere é qualquer tipo de comer – seja no partimento do pão ou em uma simples refeição em nossas casas. A tradução de J. N. Darby diz, “não vos mistureis com ele; com o tal nem ainda comais” – o que é um símbolo de comunhão social.
                 A Escritura é clara que há uma Mesa do Senhor - não há menção do Senhor tendo muitas “mesas”. Os santos reunidos ao nome do Senhor, à Mesa do Senhor podem partir o pão em muitos lugares pelo mundo, mas é uma mesa – um terreno de comunhão. O Senhor só possui um terreno de comunhão ao qual os Cristãos estão reunidos neste mundo.
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            Revisando estas Escrituras, teríamos de concluir que a presença do Senhor (no sentido coletivo do qual estivemos falando) poderia ser em apenas um lugar da Cristandade. E se isto é verdade, Ele não poderia estar em todos os lugares onde os Cristãos se reúnem – apesar de os Cristãos poderem ter uma boa intenção em sua reunião. É bem simples; se o Senhor Se fizesse presente nos muitos lugares onde os Cristãos se reúnem (como em Mateus 18:20), Ele seria conivente com aquelas falsas posições. Se o Espírito de Deus tivesse dirigido Cristãos a formarem várias comunhões separadas umas das outras, então Ele seria o Autor de divisões que desonrariam a Deus na Cristandade! Isso não pode ser. O respeitado instrutor bíblico, Sr. W. Potter, disse “Suponha que o Senhor Se fizesse presente agora em diferentes denominações, o que estaria fazendo? Estaria sancionando o que é contrário a Ele mesmo. Ele não pode fazer isso.” Disse também, “Você quer dizer que o Senhor não está no meio de nenhum outro no mesmo sentido? Decididamente, Ele não está".

Parte II - A obra do Espírito em reunir Cristãos para adoração e ministério

PARTE II

A OBRA DO ESPÍRITO EM REUNIR CRISTÃOS PARA ADORAÇÃO E MINISTÉRIO


                 Como mencionado no início do livro, o assunto da procura por uma assembleia baseada na Bíblia tem duas partes. Primeiramente precisamos ver o modelo de uma assembleia local na Palavra de Deus, assim saberemos o que estamos procurando. Tentamos fazer isto na Parte Um. Mas há o outro lado – a obra do Espírito reunindo Cristãos ao lugar onde a verdade da assembleia é praticada e o Senhor está no meio. Na Parte Dois consideraremos este lado do assunto.
                 A coisa boa que podemos dizer ao que sinceramente procura é que, apesar de toda a confusão no testemunho Cristão, Deus está ao seu lado. Ele tem um divino Reunidor que levará pessoas exercitadas através da emaranhada confusão na Cristandade ao lugar onde o Senhor está no meio. João 16:13 diz: Mas, quando vier aqu’Ele Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade”. Ao dizer “toda a verdade” o Senhor estava incluindo a verdade da Igreja (eclesiologia). Então, esta é uma promessa que pode ser hoje reivindicada por toda pessoa que deseja ser guiada nesta questão.
                 É importante entender esse lado da obra de Deus em reunir Cristãos. Mencionamos isto porque um grupo de Cristãos poderia resolver seguir cada um desses dez pontos dados como modelo de assembleia bíblica, na Parte Um, e isso poderia ser uma mera imitação. O Espírito de Deus deve ser o Autor de tal obra.


sexta-feira, 23 de março de 2018

10) Uma assembleia bíblica, em um dia de ruína no testemunho Cristão, manterá as características de um remanescen

Número Dez

Uma Assembleia Bíblica, em um Dia de Ruína no Testemunho Cristão, Manterá as Características de um Remanescente


                 Muitos dos escritores do Novo Testamento falam da ruína do testemunho Cristão nos últimos dias. Quando existe tal estado de desordem sem esperança, não podemos ter a expectativa de ver toda a Igreja de Deus praticando a verdade. Mas isto não quer dizer que aqueles que desejam praticá-la não possam fazê-la; toda a verdade de Deus pode ainda ser praticada em sua totalidade hoje em dia. Deus previu este dia e fez provisão para aqueles que são exercitados no que pode ser chamado de “um testemunho remanescente”.

O Princípio do Testemunho Remanescente

                 A ideia de um “remanescente” na Escritura surge quando a grande parte do povo de Deus se corrompeu. Um grande princípio no qual Deus age, quando falha o testemunho daquilo que Ele colocou nas mãos dos homens, é que Ele reduz seu tamanho, força, glória, e número, e o conduz, daí por diante, em forma de um remanescente. Após separar um remanescente para Si mesmo, o Senhor deixa a multidão ir pelo seu próprio caminho seguindo seus princípios e práticas corrompidas. Isto não quer dizer que Ele deixa de amar aqueles que estão conectados com várias práticas não bíblicas, mas que Ele não mais Se identifica com eles no sentido coletivo. Se Ele fosse Se identificar com o estado corrompido da multidão, pareceria diante do mundo como se Ele fosse conivente com o estado caído do Seu povo. Em vez disso, Ele recorre ao Seu poder soberano e graça para manter um testemunho remanescente da verdade, e com ele trabalha. Deus agiu sobre o princípio do testemunho remanescente com Israel no passado, quando o povo se entregou à idolatria. Ele fará isto novamente com o remanescente Judeu num dia futuro quando a multidão da nação receber o anticristo. E Ele está fazendo isto hoje no testemunho Cristão quando a multidão abandonou a verdade.

A palavra “remanescente” significa uma parte que resta do todo. O remanescente no Cristianismo é realmente todos os crentes verdadeiros no meio da multidão de professantes sem vida, mas por conta da ruína, não podemos esperar que todos eles sejam envolvidos num testemunho remanescente.

O Remanescente em Israel
                 No caso de Israel, o grande desejo do Senhor era que todos os filhos de Israel estivessem juntos em um lugar para oferecer seus sacrifícios e adoração. Ele colocou lá “Seu Nome” e “Sua habitação”, e disse ao Seu povo, e ali vireis” (Dt 12:1-16, 16:16). O lugar, sabemos, era Jerusalém (1 Rs 8:1, 29, 9:3, 11:32, 14:21, 15:4; 2 Re 21:4, 7; Sl 132:13,14). Este era o grande desejo do Senhor para todos os filhos de Israel a quem Ele havia resgatado do Egito.
                 À medida que sua história se desenrola na Terra, vemos que os filhos de Israel abandonaram o Senhor e adoraram os deuses das nações pagãs. Isso é verdadeiro tanto para o rei quanto para o povo (1 Rs 11:9-11, 33). Assim, a nação se corrompeu e fracassou em manter um testemunho fiel do único Deus verdadeiro diante do mundo. Como consequência, o Senhor afastou muitos do Seu povo (a massa) de estarem conectados com Seu testemunho em Jerusalém. Ele fez com que dez das tribos de Israel fossem levadas (1 Rs 11:29-36). Quando o rei Roboão tentou recuperá-las, o Senhor interveio por meio de um profeta e disse-lhe que desistisse, porque vinha “do Senhor” que as dez tribos fossem levadas (1 Rs 12:15, 24). Foi uma ação governamental de Deus.
                 Como Israel se entregou à adoração dos deuses dos pagãos, o Senhor não poderia mais associar-Se com eles no poder e gloria como fizera durante o reinado de Davi e Salomão. As nações em torno de Israel teriam recebido um falso testemunho de Jeová. Os caminhos do Senhor foram tais que Ele manteria Seu testemunho em Israel dali em diante por um “remanescente” (1 Rs 12:23). Ele fez “uma tribo” permanecer e ser “a luz” diante d’Ele (1 Rs 11:13, 29-36, 12:20).
                 O povo sob o líder rebelde (Jeroboão) foi levado à divisão. Subir à Jerusalém (o centro de Deus para sacrifício e adoração) teve o efeito de unir as tribos de Israel (1 Rs 12:27). Jeroboão estabeleceu outros lugares de adoração por invenção própria, para que o povo se reunisse após ele em divisão (1 Rs 12:25-33). Assim, ele solidificou a divisão em Israel, a qual permaneceu por toda a sua história. Isto foi “um grande pecado” (2 Re 17:21), e não será curado até depois da vinda do Senhor – Sua aparição (Ez 37:15-28; Is 11:13).
                 Desse tempo em diante, Deus escolheu ter apenas um testemunho remanescente em Israel. Naquele momento “Lo-Ami” (que significa “não Meu povo”) foi escrito sobre as dez tribos (Os 1:9). Assim, Ele publicamente Se dissociou deles ao partirem de Jerusalém. Ao longo da história das dez tribos encontramos que Deus não Se identificaria publicamente com a posição deles. Em mais de uma ocasião somos relembrados do solene fato de que o Senhor não é com Israel [dez tribos] (2 Cr 25:7). Ele não Se identificaria com eles, porque fazendo isto, estaria sendo conivente com sua posição de separação (2 Cr 13:12; 2 Re 17:20,21). Enquanto o Senhor não Se identificou publicamente com a posição dividida deles, ainda assim agiu em misericórdia em seu meio com profetas e manifestações do Seu poder em graça. Profetas como Elias procuraram chamá-los para que retornassem ao Senhor em Jerusalém, e alguns retornaram (2 Cr 11:13-17, 30:11). O Senhor ainda os amava e cuidava deles, mas não podia Se identificar publicamente com sua posição dividida.

O Remanescente de Judeus na Grande Tribulação
                 Quando olhamos nas Escrituras proféticas vemos que o Senhor tratará com os Judeus exatamente neste mesmo princípio. Na Grande Tribulação, a multidão da nação firmará um concerto com a besta e aceitará a idolatria que ela e o anticristo vão introduzir. Como resultado, a nação será completamente corrompida (Ap 13:11-18; Mt 12:43-45). Quando a multidão dos Judeus estiver submergida na idolatria, o Senhor não Se identificará abertamente com eles em sua aliança perversa (Is 18:4). A razão será a mesma – para não dar uma impressão errada ao mundo. Ele vai separar um remanescente (Is 66:2) e dará à multidão a idolatria que eles desejam (Sl 106:15). Durante esse tempo, Deus manterá um testemunho remanescente em meio à grande apostasia. E muitos entre eles tropeçarão, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos. Liga o testemunho, sela a lei entre os Meus discípulos” (Is 8:11-18, 10:21,22, 11:11; Jl 2:32, 3:1,2; Mq 4:7; Sf 3:13). Apesar de parecer que o Senhor desistiu do Seu povo professante, Ele tratará com o remanescente e executará Seus propósitos para com a nação em relação ao reino.

O Testemunho Remanescente na Profissão Cristã
                 A palavra “remanescente” não é encontrada somente no Antigo Testamento, como alguns imaginaram; é encontrada também no Novo Testamento em conexão ao testemunho Cristão (Ap 2:24).
                 Apocalipse 2 e 3 nos dá um traçado da história profética da Igreja desde seus primeiros dias, logo após os apóstolos, até seus últimos dias. Seguindo as coisas como são retratadas nessas cartas às sete igrejas, vemos uma curva descendente no testemunho Cristão, até que finalmente, o ponto sem volta é atingido, e dali em diante o Senhor age sob o princípio do testemunho remanescente.
                 Em Éfeso, aprendemos que “o anjo da igreja” (os líderes responsáveis) julgou corretamente tudo o que era inconsistente com o Senhor. Diz que eles não podiam “sofrer [ou suportar] os maus. Mas tristemente, o coração deles não estava com o Senhor nisto (Ap 2:2-4).
                 Em Esmirna, qualquer declive estava temporariamente suspenso pelas grandes perseguições que vieram sobre a Igreja. A severidade da prova trouxe-os de volta ao Senhor.
                 Em Pérgamo, quando os tempos da grande perseguição terminaram, “o anjo da igreja”, começa a tolerar alguns que seguem “a doutrina de Balaão”, que é mundanismo e idolatria. O anjo também tolerou os que tinham “a doutrina dos Nicolaítas”, que é o clericalismo (veja: Ordenação no capítulo 3), O anjo não foi acusado de seguir essas doutrinas, mas o Senhor encontrou falta neles porque não denunciaram o mal, como fez o anjo em Éfeso.
                 Em Tiatira, uma condição pior prevaleceu. “O anjo da igreja” permitiu que a mesma má doutrina e prática que foi sustentada por alguns em Pérgamo fosse agora ensinada! (compare Ap 2:14 com 2:20). O que começou com alguns sustentando má doutrina terminou com muitos ensinando má doutrina. Isto mostra que se o seguir o mal não é julgado, isso levará a que ele seja propagado. Em Tiatira, o ensino desse mal se desenvolveu num sistema de coisas chamado de “Jezabel”, o que certamente corresponde ao Catolicismo. Na Idade Média, esse sistema iníquo tinha um controle tão tirânico sobre toda a Igreja que, com sua força e organização, controlou o anjo! Aqueles que tinham o lugar de responsabilidade falharam em lidar com isso quando podiam, e agora se tornou num monstro que os controlava! (compare At 27:14,15). O “euro-aquilão” – um grande vento Mediterrâneo – arrebatou o navio, e os marinheiros não podiam fazer nada, senão “deixando o navio ir” (JND). A figura de “Jezabel” é apropriadamente usada aqui porque essa mulher não só levou a idolatria para Israel formalmente, mas ela também controlou e manipulou seu marido, rei Acabe.
                 Tal sendo o caso do estado público da Igreja, onde não restou poder algum para tratar com o mal, o Senhor separou um remanescente dizendo, Mas Eu vos digo a vós, e aos restantes [remanescentes]...” (Ap 2:24) e a partir de então deixou a multidão ir. Aqui temos a palavra “remanescente” usada em conexão com o testemunho Cristão. A partir desse momento, o Senhor trabalharia com um remanescente que ouviria o que o Espírito diz às igrejas. É significativo que Ele não colocou sobre eles “a carga [encargo] de pôr em ordem a confusão no testemunho Cristão numa tentativa de trazê-lo de volta ao que foi uma vez. Em vez disso, Ele dirigiu o foco deles em direção à Sua vinda dizendo retende-o até que Eu venha” (Ap. 2:25).
                 Daquele ponto em diante uma mudança marcante é vista nos caminhos do Senhor com a Igreja. Até este ponto, a voz do Espírito era para toda a Igreja. O que o Espírito diz às igrejas precedia a promessa ao que vencer nas três primeiras igrejas. Nas três primeiras igrejas a recompensa ao que vencer foi definida diante de toda a Igreja, porque o Senhor ainda estava tratando com ela em sua totalidade, para trazê-la, se possível, de volta ao ponto de partida. Mas deste ponto para frente a ordem é inversa. O chamado para ouvir o que o Espírito diz às igrejas segue a promessa ao que vencer. Esta é a ordem nas quatro últimas igrejas. Isto quer dizer que o que o Espírito tem a dizer não mais é dado à multidão, porque não se espera que a multidão ouça; somente um remanescente vai ouvir e responder. O que Paulo predisse a Timóteo de que as massas “não suportariam a sã doutrina” (ATB), aconteceu (2 Tm 4:2-4) e, portanto, o Espírito não mais está falando ao corpo, como um todo, sobre a verdade da Igreja.
                 Comentando esta mudança, J. N. Darby disse que o corpo, como um todo, é “deixado de lado” deste ponto em diante porque a massa pública na profissão Cristã é tratada como sendo incapaz de ouvir e se arrepender. W. Kelly disse, “O Senhor desde então coloca a promessa (ao que vencer) antes, e isto porque é vão esperar que a Igreja, como um todo, receba isto... apenas um remanescente vence, e a promessa é para eles; quanto aos outros, está tudo acabado”. Como resultado, todo o pensamento de recuperar a Igreja como um todo é abandonado porque ela atingiu um ponto onde não há recuperação. Tendo isso em mente, o Espírito de Deus não está falando necessariamente a cada pessoa na Cristandade hoje em dia a respeito da verdade da reunião. Com a maioria, Ele os está deixando seguir seu próprio caminho com suas afiliações eclesiásticas.
                 Trabalhando com um testemunho remanescente desde aquele tempo, o Senhor recuperou a verdade que se perdeu por meio do descuido da Igreja nos séculos passados. No entanto, Ele não achou oportuno recuperar toda a verdade ao mesmo tempo. O remanescente referido em Apocalipse 2:24-29 são os Valdenses, e outros como eles que se separaram do mal de “Jezabel” nos tempos Medievais. Foi dito a eles: “guarda o que tens” da pequena verdade que tinham. Algum tempo depois, levando à Reforma, o Senhor permitiu a recuperação de um pouco mais da verdade – como a supremacia da Bíblia e a fé em Cristo apenas para a salvação. Mas aquele movimento do Espírito foi impedido pelos Reformadores que recorreram a certos governos nacionais para ajuda contra as perseguições da Igreja de Roma. Isto foi equivalente a se utilizar da carne e do mundo por ajuda em vez de confiar no Senhor (Jr 17:5; Sl 118:8,9; Is 31:1). O resultado foi a formação de grandes igrejas nacionais na Cristandade, e a morte do Protestantismo começou, como retratada na igreja de Sardo (Ap. 3:1-6).
                 Não foi até o início dos anos 1800 que o Senhor deu total recuperação da verdade. Isto aconteceu quando os homens se afastaram de toda organização formal feita por homem na Igreja. Isto é retratado na carta do Senhor à igreja de Filadélfia (Ap 3:7-13). Naquele tempo, Deus estabeleceu um testemunho coletivo da verdade do um corpo. Antes disso, o remanescente havia sido composto de indivíduos que procuraram seguir fielmente em separação da corrupção da Igreja de Roma. Estamos agora em dias onde cada um faz o que parece reto aos seus olhos (Jz 21:25), e a maioria é complacente em seu fraco estado. Isto é retratado na igreja de Laodicéia (Ap 3:14-22).
                 A questão para vermos aqui é que o testemunho Cristão alcançou um ponto irremediável de ruína, e isto exigiu uma mudança nos caminhos do Senhor para com ele. Ele abandonou qualquer tentativa de restaurar o estado público da Igreja como um todo e está trabalhando agora em um testemunho remanescente. Aqueles reunidos ao nome do Senhor não são exatamente um remanescente. Corretamente falando, todos os verdadeiros crentes entre a massa de meros professos na Cristandade o são, mas, eclesiasticamente, eles ocupam uma posição de remanescente no testemunho, e estão onde o remanescente (todos os crentes verdadeiros) deveria estar, reunido ao nome do Senhor.
                 Assim como em Israel, para manter hoje um testemunho remanescente da verdade do um corpo, o Senhor não precisa que todo Cristão no mundo se reúna ao Seu nome, apesar de que isso é o Seu desejo para eles (1 Tm 2:4). Como mencionado, o exato significado da palavra “remanescente” implica que nem todos estão lá. Em divina prerrogativa e graça, Deus está tomando um aqui e outro ali, e Ele os está reunindo ao nome do Senhor, para que este testemunho remanescente possa continuar.

Segunda a Timóteo 2:19-22
                 A palavra “remanescente” não é usada em 2 Timóteo 2:19-22, mas esta passagem dá este princípio. Ela se concentra nos exercícios que precisamos ter para sermos levados a uma posição de remanescente em dias de desordem do testemunho Cristão. Paulo apresentou o caminho a Timóteo e a nós. Ele disse, “qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade. Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas [desses, em se separando deles – JND], será vaso para honra, santificado e idôneo [útil – JND] para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra. Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” (2 Tm 2:19-22).
                 Muitas vezes tem sido dito que esta passagem é a carta para o crente em um dia de ruína e fracasso. A condição arruinada da profissão Cristã é comparada a “uma grande casa”. A casa é vista em desordem e caracterizada pela mistura de coisas nela – algumas honrosas outras desonrosas. Os vasos de “ouro e prata” falam dos verdadeiros crentes, os vasos de “pau e barro” dos falsos professantes. Eles são vistos todos juntos misturados. Uma vez que a associação com o mal corrompe (1 Co 15:33; 1 Tm 5:22; Ag 2:10-14; Dt 7:1-4; Js 23:11-13; 1 Rs 11:1-8, etc.), os vasos de ouro e prata são vistos como corrompidos por sua associação com os vasos de pau e barro. A contaminação pode decorrer da associação tanto com as próprias pessoas, quanto com seus princípios e práticas errôneos – quer seja doutrinal, moral ou eclesiástica.
                 Quando o apóstolo se refere aos vasos “para honra” e “para desonra”, parece que ele está indicando o estado dos vasos. Enquanto todos os que são meros professantes na casa são vasos para desonra, nem todos os verdadeiros Cristãos podem estar igualmente em honra. Se crentes não estão indo bem com o Senhor podem também ser classificados como vasos para desonra. Mesmo sendo poucos, são os vasos para a honra que são santificados.
                 O ponto não é ser meramente vaso “para honra”, mas ser um “santificado” vaso “para honra”. Isto envolve purificar-se da mistura pela separação. Estes versículos claramente ensinam que não é impossível ser um vaso santificado se permanecemos em comunhão com a corrupção da casa. A simples associação com má doutrina é suficiente para nos contaminar, mesmo que pessoalmente não sigamos ou pratiquemos o mal. Portanto, o grande exercício para o crente que deseja ser fiel é "apartar-se" da injustiça e da iniquidade separando-se da mistura na casa. Assim, ele se torna um vaso “santificado” para honra. É a separação que deve ser praticada na casa de Deus. O crente não é chamado a deixar a casa, porque isso significaria abandonar completamente a profissão Cristã, mas se separar da sua desordem. (compare Provérbios 25:24). Nem é chamado a “purificar” a casa de tudo que desonra o Senhor, mas sim “purificar-se” da mistura na casa.

“Se Purificar Destes” e “Seguir Com Aqueles”
                 O exercício é duplo: primeiro dissociar, e então associar. Isto é indicado nas palavras, “se purificar destes” (v. 21 – JND), e “segue... com aqueles” (v. 22 - ATB). Os crentes devem se separar da mistura na casa, e seguir com aqueles que invocam o Senhor com um coração puro” (ATB). Esta ordem é consistente em toda a Escritura (Is 1:16,17; Rm 12:9, 13:12; Sl 34:14; 3 Jo 11). Estudiosos dizem que “purificar destes”, está no genitivo plural no Grego, e seu significado é abrangente em aplicação podendo incluir pessoas, princípios e coisas – isto é, todo o estado misturado de coisas na casa. Significa dizer que o crente fiel deve se dissociar de tudo o que for contrário à verdade de Deus, de tudo aquilo que nega o que a verdadeira Igreja é sob Cristo, a Cabeça, e daqueles que negam o verdadeiro lugar do Espírito Santo como Guia. Fazendo isto, o crente se torna um “santificado” vaso “para honra”.
                 Isto quer dizer que temos que nos separar de alguns crentes verdadeiros que não estão preocupados com sua associação ao erro e à confusão. Se verdadeiros crentes estão contentes em seguir em comunhão com a confusão, não temos escolha senão nos separarmos deles também. Isto é algo doloroso e um teste real da nossa disposição em agir sob os princípios da Escritura. Uma vez que estamos nos separando de verdadeiros crentes, deveríamos senti-lo profundamente. Não obstante, o chamado do Senhor tem precedência sobre o amor aos irmãos. Na verdade, a prova do nosso amor pelos nossos irmãos será vista na nossa obediência a Deus. Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os Seus mandamentos” (1 Jo 5:2). Contudo, estejamos atentos contra a atitude de pensar que somos melhores ou mais espirituais do que aqueles de quem nos separamos. O espírito adequado ao nos purificarmos da mistura dos vasos na casa envolve julgamento próprio e não justiça própria.
                 Quando o crente faz isto, então o Senhor o guiará para comunhão “com os que”, onde ele poderá praticar toda a verdade de Deus – tal como a verdade de o um corpo na prática – embora este seja em um remanescente. Observe também que o exercício de dissociação é imposto primeiramente em nós. O caminho para associar-se “com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” não será encontrado até que tenhamos agido na luz que temos quando nos separamos daquilo que sabemos, pelas Escrituras, ser inconsistente com a casa. É somente então que o Senhor nos dará mais luz.
                 Associando-se “com os que” mostra que a resposta à confusão sem esperança na casa não é o isolamento. Podemos ser tentados a erguer nossas mãos em frustração e nos resignar a seguir apenas como indivíduos, mas a separação não deveria levar ao isolamento. O versículo 22 mostra que o Senhor proverá alguns com quem poderemos andar e praticar a verdade. Não será com todos os membros do corpo, mas haverá alguns – um testemunho remanescente. Se uma pessoa é verdadeiramente exercitada, cremos que o Senhor a guiará no caminho. Observe também que não diz “Segue... os que”, o que seria meramente seguir homens. Mas diz, “Segue... com os que,o que implica que eles também estão seguindo e que temos de nos juntar “com eles” seguindo o Senhor e os princípios da Sua Palavra.

Cristãos Biblicamente Reunidos ao Nome do Senhor Não São o Remanescente de Deus no Cristianismo
                 Nós não devemos supor que os Cristãos reunidos biblicamente ao nome do Senhor são o remanescente de Deus hoje em dia. Corretamente falando, todos os crentes verdadeiros no meio da multidão de meros professos na Cristandade são o remanescente de Deus. Aqueles reunidos biblicamente simplesmente ocupam a posição de remanescente em testemunho, e estão onde todo o remanescente (todos os crentes verdadeiros) deveria estar, reunido ao nome do Senhor. Então, este é o testemunho de reunião conforme a Escritura e deveria conter as marcas de um testemunho remanescente.

As Características Gerais de um Remanescente

                 Em condições normais e se o estado for bom, as características daqueles reunidos numa assembleia bíblica, em um dia de ruína, serão as mesmas do remanescente do livro de Esdras. Algumas dessas características são:

Eles Sentiram e Confessaram o Fracasso Coletivo do Povo de Deus – Daniel 9:3-19; Esdras 9,10:1
Os exercícios do remanescente que voltou à Jerusalém no livro de Esdras começaram com a oração e humilhação de Daniel. Deuteronômio 30:1-6 e 1 Reis 8:46-50 afirma que quando o povo de Deus falhasse e seus inimigos os tivessem levados cativos, se eles orassem em verdadeiro arrependimento, Deus proveria libertação e um retorno à sua terra. Daniel orou essa oração e Deus manteve Sua promessa. Ele soberanamente promoveu um retorno de um remanescente dos Judeus (Esdras 1).
                 Igualmente, aqueles em assembleias reunidas biblicamente reconhecerão sua parte na confusão triste e desonrosa a Deus que existe na profissão Cristã. Eles confessarão que falharam juntamente com todo o povo de Deus e que contribuíram para a ruína e o fracasso comum na Cristandade. Eles não se colocarão acima, como sendo melhores do que outros Cristãos, mas serão marcados por verdadeira humilhação (Is 66.2).

Eles Se Libertaram Da Confusão Na Babilônia, Se Separando Dela - Esdras 2:1-60
                 Judeus de todas as esferas da vida foram exercitados para retornar a Jerusalém – sacerdotes, Levitas, cantores, servos, etc. Eles “saíram” da Babilônia e se separaram dela. Ninguém os coagiu a fazer isto; foi um exercício pessoal da parte do povo. Provavelmente foi algo emocional e doloroso, porque significava para muitos uma despedida dos seus irmãos que escolheram permanecer na Babilônia.
                 Igualmente, aqueles que foram reunidos biblicamente ao nome do Senhor terão passado pelos mesmos exercícios, e se separado da confusão da grande casa da profissão Cristã – da qual Babilônia é uma figura (2 Tm 2:19-22). Eles não deixaram a casa da profissão Cristã, mas procuraram retornar aos primeiros princípios na Palavra de Deus de como se reunir.

Eles Não Alegaram Ter Poderes Que Foram Perdidos Nos Fracassos Anteriores – Esdras 2:61-63
                 Os Judeus que retornaram a Jerusalém sabiam que eram apenas um remanescente do povo de Deus, e, portanto, não tiveram a pretensão de ter os poderes que a nação uma vez teve nos seus primeiros dias. Eles não tinham a nuvem de glória (Shekinah em hebraico - Êx 13:21,22; 2 Cr 5:13,14; Ez 8:4), nem o “Urim e Turim” (Êx 28:30; Ed 2:63). Esses símbolos de poder já haviam desaparecido e isso os lançou em direção ao Senhor por ajuda.
                 Igualmente, aqueles reunidos ao nome do Senhor não alegam ter milagres e sinais apostólicos, nem poder de ordenação, como a Igreja uma vez teve em seus primeiros dias. Nem fingem ter grandes dons; na melhor das hipóteses eles têm “pouca força” (Ap 3:8). Eles reconhecem que estão em um “dia das coisas pequenas” (Zc 4:10).

Eles Espontaneamente Deram suas Possessões à Causa para apoiar o Testemunho Remanescente – Esdras 2:64-70
A realidade da fé do povo no livro de Esdras foi provada pela sua disposição de “voluntariamente” dar suas possessões em suporte ao testemunho na forma monetária. Cada um “deu conforme as suas posses.
                 Igualmente, aqueles em assembleias reunidas biblicamente deveriam dar suas possessões que darão suporte a causa de Cristo e o testemunho remanescente com o qual estão identificados (Compare 2 Co 8:11,12).

Eles Procuraram Agir em Unidade Prática em Todos os Assuntos – Esdras 3
O remanescente em Esdras agiu unido “como um só homem” em tudo o que faziam (v. 1), não somente em sua adoração, mas também em seu serviço para o Senhor e sua comunhão prática de um com outro.

  • Eles se ajuntaram “como um só homem” (v. 1)
  • Eles trabalharam “como um só homem” (v. 9)
  • Eles cantavam “juntos” (v. 11)
                 Igualmente aqueles que estão conectados com o testemunho remanescente hoje deveriam ser marcados pela procura em guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4:3 – ARA). Isto pode ser feito em muita fraqueza, mas é seu objetivo e desejo.

Eles Seguiram a Palavra de Deus em Tudo o que Faziam – Esdras 3
                 O remanescente em Esdras era cuidadoso em seguir a Palavra de Deus em tudo que faziam em adoração e serviço. Muitas vezes diz, “Como está escrito” (Ed 3:2, 4).
                 Da mesma forma, o testemunho remanescente no Cristianismo deveria ser marcado pelo cuidadoso seguir da Palavra de Deus em todas as coisas que tenham a ver com adoração e serviço. Podemos nem sempre ter um versículo específico para tudo, mas deveríamos ter um princípio bíblico para nos guiar.

Eles Experimentaram Oposição por Conta do Terreno que Escolheram em Separação da Corrupção na Terra – Esdras 4
                 O remanescente em Esdras tinha “adversários”. Eram pessoas na terra que eram contrárias à posição que os Judeus fiéis tomaram em Jerusalém em separação da mistura de princípios religiosos que estavam sendo praticada ao redor deles.
                 Da mesma forma, aqueles que se reúnem ao nome do Senhor Jesus “fora do arraial” vão experimentar “vitupério”; isto provém de ser identificado com tal testemunho (Hb 13:13; Ap 3:9). A objeção mais forte à reunião sob princípios bíblicos para adoração e ministério, normalmente vem daqueles que professam conhecer o Senhor.

Eles tinham um Ministério Profético Forte em seu Meio – Esdras 5
                 Deus levantou profetas no meio do remanescente no tempo de Esdras para fortalecer e encorajar o povo a continuar no trabalho que estavam fazendo para o Senhor. Eles foram muito usados pelo Senhor. “Ageu” pregou sobre o estado moral do povo, para que suas vidas fossem encontradas como agradando o Senhor. “Zacarias” tornou o coração do povo para o futuro – à vinda do Senhor quando o reino seria estabelecido em poder e glória.
                 Igualmente, o Senhor usará homens para ministrar a Palavra de Deus para fortalecer e edificar aqueles naquela posição de remanescente no Cristianismo hoje em dia. Estes podem ser irmãos locais (1 Co 16:15-18; 1 Tm 5:17), ou aqueles que os visitam, de outras assembleias (At 14:21,22; 1 Co 16:10-12).

Eles não Pretendiam ser Todo o Povo de Deus, mas Admitiram que Eram Meramente um Remanescente – Esdras 6:16-22
                 O remanescente em Esdras seguiu em frente humildemente em sua adoração e serviço. Eles não pretendiam ser todo o Israel, mas ofereceram uma oferta pelo pecado pelas doze tribos de Israel. Fazendo isto, eles confessaram sua parte no fracasso da nação. É significante, entretanto, que eles comeram a Páscoa apenas com aqueles que se separaram da contaminação na Terra.
                 Igualmente, os reunidos ao nome do Senhor hoje não pretendem ser a Igreja de Deus em sua totalidade, nem pensam que são o remanescente de Deus hoje. Eles reconhecem que são poucos, e voluntariamente confessam sua parte no fracasso público da Igreja. Entretanto, apenas comem a Ceia do Senhor (o antítipo da Páscoa) com aqueles que se separaram da contaminação – moral, espiritual e eclesiástica.
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                 Estas são algumas características proeminentes que marcam a assembleia reunida biblicamente. No entanto, será assim apenas quando o estado do povo for bom e estiverem andando com o Senhor. É possível estar numa posição correta (eclesiasticamente), mas numa condição errada (espiritualmente). O livro de Malaquias ilustra isto. Os Judeus daqueles dias retornaram ao centro de Deus (Jerusalém), mas estavam claramente em um estado inadequado de alma. Portanto, assumindo que as assembleias reunidas ao nome do Senhor estão em um estado razoavelmente bom, essas características vistas no remanescente em Esdras serão vistas neles também.